O MOVIMENTO DA PARADA

DA BASE CONCRETA ÀS FORMAÇÕES IDEOLÓGICAS

Autores

  • Rafael da Silva Marques Ferreira Instituto Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-591

Palavras-chave:

PARADA DO ORGULHO LGBT, IDEOLOGIA, INFRAESTRUTURA, SUPERESTRUTURA

Resumo

O presente estudo tem como objetivo discutir o modo como as Paradas do Orgulho LGBT de São Paulo, no que diz respeito as suas 22 primeiras edições (1997-2018) atuaram como componentes das bases concretas da existência social responsáveis por influenciar diretamente nas transformações dos sistemas social-ideológicos que a sociedade brasileira construiu durante sua história. Tal investigação se mostra relevante para as discussões propostas no Congresso à medida em que nos dá a dimensão de como se (trans)formam as bases ideológicas de uma sociedade a fim de atender os anseios de uma minoria referentes à manutenção de seus direitos fundamentais (tais como vida, segurança e liberdade de expressão); de como as práticas cotidianas, enfim, são determinadas por tais bases e, principalmente, o papel dessas mesmas práticas na (re)organização dos constructos ideológicos que muitas vezes são apresentados e acreditados como sendo imutáveis. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é um dos maiores eventos do mundo de luta pelos direitos civis das minorias sexuais e de gênero; a partir de tal destaque, objetivo construir um panorama de suas 22 primeiras edições no que se refere aos seus temas principais para, em seguida, buscar, nas transformações ocorridas na realidade brasileira, nos anos subsequentes, ecos e respostas do discurso promovido pelos eventos. Em minha fala, apresento um trecho das pesquisas e discussões que empreendi e apresentei em minha pesquisa de doutorado (Universidade Federal do Espírito Santo/Universidade de Coimbra) na qual analisei a Parada do Orgulho de São Paulo a partir de um tripé discursivo que a constitui e sustenta, a saber: memória, protesto e festa; a apresentação proposta encontra-se no eixo da memória e, a partir das noções de infraestrutura e superestrutura de Marx (1982; 2008) e a sua apropriação feita pelo Círculo de Bakhtin (1981). Como resultado, verifiquei que, em mais de duas décadas, A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo se mostra como um dos agentes responsáveis por mudanças bastante significativas nas realidades política, social, cultural e midiática de nosso País. Enquanto acontecimentos na infraestrutura, cada edição promove deslocamentos e mudanças significativas que, mais tarde, expressam-se nas formações ideológicas consolidadas, as superestruturas.

Publicado

31.12.2022