EaD – REFLEXÕES SOBRE O DIREITO À APRENDIZAGEM NÃO PRESENCIAL
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-488Palavras-chave:
AFETIVIDADE; EAD; EMOÇÃO; ENSINO REMOTO; APRENDIZAGEMResumo
O distanciamento social, imposto pela pandemia do covid-19, encaminhou à educação reflexões sobre os modelos educacionais instalados e as novas possibilidades. A análise dos elementos constitutivos do ensino pautado pela distância, bem como suas condições de concretização, expostas neste estudo, buscaram adensar a compreensão sobre suas implicações na educação e, sobretudo, na formação de novas gerações. Assim, propusemos uma reflexão sobre as possibilidades, ou mesmo as impossibilidades, de estabelecimento de relações afetivas positivas constitutivas do processo de construção do conhecimento e do direito ao ensino de sucesso. As contribuições da teoria de Vigotski ampliam a visão reducionista do sujeito, alçando-o a um patamar de ser interativo que transforma e é transformado pelos efeitos da cultura. Para este autor, a vivência no ambiente cultural é fator primordial no desenvolvimento do sujeito para a criação de nexos verbais e de generalizações pertinentes ao contexto social. Essa visão expõe a mediação pedagógica como um fator essencial e decisivo na qualidade dos vínculos entre sujeito/aluno e objeto/conhecimento. Na perspectiva teórica de Henri Wallon, a afetividade é um processo que envolve emoção, sentimentos e paixão. A interação social, propiciada pela emoção, conduz o sujeito ao universo cultural e à atividade intelectual, portanto, o conjunto funcional afetivo incide sobre o meio social e atua sobre a dimensão cognitiva, e vice-versa. Esses teóricos compreendem a aprendizagem como derivada da relação que se estabelece entre o sujeito e o objeto, pela ação de um agente mediador principal, no qual centra-se na figura do professor e de demais agentes mediadores secundários, tais como os colegas. As contribuições resultantes das pesquisas sobre afetividade e educação produzidas pelo Grupo do Afeto têm como foco central a relação afetiva que se estabelece entre o sujeito e o objeto, dada pela qualidade da mediação pedagógica, a partir da tríade: sujeito, objeto e agente mediador. Analisando-se as condições de ensino remoto à luz das contribuições dessas pesquisas, concluímos que a distância na relação professor-aluno, aluno-aluno, aluno-instituição expõe uma condição que dificulta, ou mesmo impede, o estabelecimento de relações afetivas positivas na relação sujeito-objeto, constitutivas do processo de construção do conhecimento. O direito à uma educação que permita ao indivíduo consciência e atuação no meio social, histórico e cultural de sua inserção, é de vital importância para estabelecer consciência sobre as questões de justiça social, igualdade de gênero, liberdade de expressão, proteção ambiental, inclusão, diversidade, racismo e empoderamento das minorias. Ampliar o olhar sobre o processo de ensino-aprendizagem, compreendendo-o como um movimento dialético que se dá dentro e fora do contexto escolar é crer na possibilidade transformadora do conhecimento e assim conceder ao aluno o direito de desenvolver um posicionamento crítico no contexto histórico em que está inserido, para além dos muros da escola, para além da demarcação herdada de seu espaço geográfico e social.