O PAPEL DA ARTE NA SENSIBILIZAÇÃO QUANTO À RESPONSIBILIDADE COM A CRISE AMBIENTAL E PARA UMA AGENDA POLÍTICA PRIORITÁRIA PARA O DIREITO AO MEIO AMBIENTE

A CONTRIBUIÇÃO DO PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT

Autores

  • Maria Lúcia de Paula Oliveira Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-415

Palavras-chave:

ARTE;DIREITO;AMBIENTAL;JUÍZO;POLÍTICAS.

Resumo

Um dos desafios para o enfrentamento da crise ambiental, é sensibilizar as pessoas para a urgência de acontecimentos graves, mas que não são facilmente percebidos como a mudança climática. Como trazer à responsabilidade pessoas que não se sentem diretamente envolvidas? Não bastaria a divulgação das informações científicas? É preciso despertar a sensibilidade para a coexistência no planeta como nosso lar em comum, sem esquecer a questão da sua viabilidade para gerações futuras. Tal qual retratado por Kafka, o homem contemporâneo vive entre o passado e o futuro, e a única forma de ele se apropriar do passado e conviver com o futuro, é a através da atividade do pensamento e do julgamento, como nos ensina Hannah Arendt. É preciso romper com os conceitos já fixados e estabelecidos, utilizar a capacidade de imaginação política, reconectando passado e futuro e permitindo o exercício da atividade de julgamento. Como suscitar isso? Por meio de narrativas, retratos, expressões artísticas, tudo que possa suscitar a imaginação política da humanidade para a gravidade e emergência das circunstâncias presentes. Arte e política são fenômenos do mundo público (cultura animi), para os quais a atividade de julgamento é imprescindível, e para ela é necessária o sensus communis  ou o pensamento alargado (como bem denominou Arendt a partir de Kant). O pensar, considerando que o sujeito considera não somente as suas próprias idiossincrasias, mas as circunstâncias de todos, é o que configura o julgamento do belo em Kant e, para Arendt, é o que nos permite viver no mundo e julgá-lo, não só retrospectivamente, mas também prospectivamente, tornando-nos responsáveis não só pelo que já nos aconteceu, como também com o que pode nos acontecer em virtude de nossas ações.  O envolvimento dos cidadãos, que possam colocar como prioritárias as políticas ambientais, passa por uma mobilização da imaginação política, que somente pode ser conseguida por meio da sensibilização que narrativas, testemunhos, fotografias, mas sobretudo, arte, possam proporcionar. A dificuldade de fazer valer o direito ao meio ambiente, como direito humano, que decorre em muito da dificuldade de fazer perceber ao cidadão a responsabilidade pelo desastre ambiental deve ser enfrentada com uma retórica que aposte nos sentimentos que nos façam retomar o contato com o passado e nos suscitem imaginar o futuro que a ciência nos aponta. Destaca-se aqui a importância da expressão artística como forma de suscitar a imaginação para a responsabilidade moral na questão política. Fotografias como as de Sebastião Salgado ou de Lalo de Almeida sobre a Amazônia, por exemplo, podem ter um papel importante no sentido de suscitar a atenção para as políticas ambientais e para a necessidade de que os cidadãos priorizem na agenda política democrática a defesa do direito ao meio ambiente. A investigação filosófica se serve, do ponto de vista metodológico de pesquisa bibliográfica e cotejo das obras de referência para lançar luzes sobre o simbolismo da arte para a afirmação da necessidade de políticas públicas comprometidas com a efetivação do direito ao meio ambiente.

Publicado

31.12.2022