PERTENCIMENTO SOCIAL E DIFERENÇA SUBJETIVA NA PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-366Palavras-chave:
Sentimento de inadequação, Paideia, Neoliberalismo, Direitos Humanos, SubjetividadeResumo
O projeto estuda o pertencimento social no contexto da historicidade educacional dos sujeitos com contribuição da Psicologia da Inadequação. A diferença subjetiva a ser contemplada deve ser vista como Direito Humano e levanta a necessidade de se compreender o paradoxo da importância da inclusão social juntamente ao respeito à diferença pessoal. Numa sociedade que vive sob a ótica neoliberal, a investigação se dedica a identificar uma possível formatação de personalidades e exclusão social e um sentimento de inadequação ao ser estabelecido um modelo referencial idealizado com o qual sujeitos comparam seu desempenho individual, considerando-se supostamente inadaptados ou inferiores com relação a sua formação física ou capacidades e habilidades comportamentais. Quando supostamente atingem ou superam esses referenciais, tendem a julgar superiores com relação aos outros. Na lógica meritocrática, comparativa e competitiva do paradigma neoliberal, é um fenômeno esperado. As práticas pedagógicas estão sujeitas a essa influência e têm uma participação muito importante na formação do sujeito. O paradigma pedagógico de Competências e Habilidades, representação pedagógica do individualismo neoliberal, traz o potencial de criar um padrão básico e reativo de formação das subjetividades. Investiga-se se há uma aproximação da estrutura da Paideia ao oferecer modelos imaginários de perfeição, beleza e qualidade a serem imitados. O paradigma dos Direitos Humanos pressupõe que as pessoas sejam incluídas integralmente mas o paradigma neoliberal parece exigir determinadas características individuais, econômicas e sociais para a inclusão, uma espécie de seleção social para que a inclusão ocorra. Portanto, entre as buscas para a promoção da inclusão social das Pessoas com Deficiência está a necessidade de reconhecimento e valorização da diferença. A Psicologia da Inadequação estuda a percepção do sentimento de inadequação, o deslocamento das pessoas na sociedade, suas reações e a possibilidade de promover uma cultura da aceitação das diferenças ao afirmar a não obrigatoriedade de adequação das pessoas a um modelo imaginário de perfeição comumente estabelecido como referência com a qual as pessoas se comparam e diante da qual se sentem inferiores ou incapazes. O objetivo é contribuir com a produção de referências teóricas e práticas para a construção de uma cultura de reconhecimento e valorização da diferença dos modos de existir. Verificar a adesão dos sujeitos aos projetos de implementação dos Direitos Humanos é uma referência de difícil acesso; por isso a metodologia proposta é através de levantamento bibliográfico, entrevistas semidirigidas e análise do discurso sob a perspectiva da Fenomenologia Existencial de Merleau-Ponty, buscando aproximações com o Materialismo Histórico-Dialético. Incialmente supôs-se que o sentimento de inadequação é uma experiência comum a todas as pessoas, forçando-se a uma auto-opressão. Até o momento, a pesquisa bibliográfica tem avançado no sentido da compreensão da formação da subjetividade na cultura ocidental a partir da queda do pertencimento social, termo também referido classicamente na construção do conceito de autismo. Uma das ferramentas já propostas é um protocolo psicodiagnóstico interventivo de Transtorno do Espectro Autista em adultos que considera aspectos vivenciais da pessoa em atendimento e seu acolhimento pelo terapeuta como modelo de inclusão no âmbito da psicologia clínica.