COMPREENDENDO A ADESÃO A VALORES MORAIS DE ADOLESCENTES ENVOLVIDOS EM SITUAÇÕES DE BULLYING

QUANDO OS DIREITOS HUMANOS ESTÃO ALERTA

Autores

  • Sanderli Bomfim FCLAr - UNESP

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-85

Palavras-chave:

BULLYING, VALORES MORAIS, ADOLESCENTES, CONVIVÊNCIA ESCOLAR

Resumo

Todos precisamos ter os nossos Direitos Humanos garantidos. No entanto, temos visto situações de intimidação (Bullying) colocarem em risco os direitos de nossas crianças e adolescentes, como o bem-estar, a tolerância às diferenças, o respeito. Faz-se urgente e necessário que a escola se valha de ações e intervenções que visem uma convivência ética como estratégia para formar sujeitos com direitos e deveres alicerçados nos valores morais que contribuam para a construção de uma sociedade democrática e mais justa. Investigações ao redor do mundo tem buscado compreender os mecanismos psicológicos dos envolvidos em situações de intimidação sistemática para que a atuação escolar seja verdadeiramente efetiva. Por sua vez, outras investigações têm apontado o protagonismo juvenil como uma possibilidade bastante efetiva na diminuição ou erradicação de tais problemas. A presente pesquisa, de caráter descritivo e exploratório, é um recorte uma pesquisa maior do GEPEM UNESP/UNICAMP (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral) intitulada “Bullying: mecanismos psicológicos e intervenção ao problema”, especificamente, parte do eixo de investigação “Estratégias de intervenção: Sistemas de Apoio entre Iguais” e teve como objetivo constatar o modo de adesão a valores morais – o respeito, a justiça e a solidariedade – por adolescentes que se percebem autores, vítimas e espectadores em situações de bullying. Os dados foram obtidos a partir de 2.513 respondentes, sendo estes(as) adolescentes de 11 a 15 anos, estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental de escolas públicas e particulares do interior do estado de São Paulo (Brasil). Utilizou-se um instrumento composto por duas partes, sendo a primeira relacionada à caracterização dos papéis autopercebidos pelos adolescentes em situações de bullying. A segunda parte continha uma adaptação do instrumento anteriormente validado em uma investigação anterior conduzida pela Fundação Carlos Chagas sobre a adesão aos valores morais da justiça, respeito, solidariedade e convivência democrática, através de situações hipotéticas cujas alternativas de respostas apontavam contra-valores e pró-valores. Os resultados encontrados apontaram que os autores de Bullying são os que apresentam menor adesão aos valores morais pesquisados, enquanto as vítimas de bullying são as que mais aderem aos valores da solidariedade e da justiça. Não encontramos diferenças entre os envolvidos no que se refere ao valor do respeito. Já os espectadores possuem maior adesão aos valores morais do respeito, da justiça e da solidariedade. Os dados encontrados referentes a este último grupo nos indica que eles e elas, enquanto espectadores, podem ser parcela fundamental na diminuição, quiçá erradicação, deste tipo de intimidação no ambiente escolar. Reiteramos com tal pesquisa que a escola invista em ações sistematizadas e intencionais para que os direitos de seus alunos e alunas lhe sejam garantidos no espaço que deve (ou deveria) ser um lócus de convivência ética, de segurança, de liberdade e acolhimento: a escola.

Publicado

31.12.2022