A EDUCAÇÃO AMEAÇADA

DIREITOS HUMANOS E AÇÕES ANTI-IGUALITÁRIAS EM MATO GROSSO DO SUL (BRASIL)

Autores

  • Tiago Duque Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-73

Palavras-chave:

Educação, Direitos Humanos, Diferenças, Brasil

Resumo

A ofensiva anti-igualdade envolve diferentes frentes e sujeitos sociais em várias partes do mundo, como os movimentos e iniciativas racistas, machistas, xenófobas, lgbtfóbicas e capacitistas. O cenário e os desafios da Educação para os Direitos Humanos nesses contextos se complexificam cada vez mais. Em se tratando da realidade brasileira, no Centro-Oeste do país, fronteira com a Bolívia e o Paraguai, as especificidades regionais oferecem uma oportunidade para compreender parte dessas complexidades. Essa realidade local é marcada, entre outras coisas, pelo agronegócio e seus crimes ambientais, por conflitos étnico-raciais com diferentes populações quilombolas e indígenas, alto índice de feminicídio e homofobia, preconceitos contra imigrantes, pouco avanços nas políticas de inclusão de pessoas deficientes, etc.  Nesse sentido, esse texto tem o objetivo de analisar iniciativas anti-igualitárias na área da Educação promovidas por políticos no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. A metodologia qualitativa utilizada para este estudo foi a que diz respeito a uma espécie de perambulação pelas mídias digitais para reunir e selecionar iniciativas anti-igualitárias de políticos eleitos democraticamente, mas com ações que colocam sob ameaça a Educação em Direitos Humanos. Essa perambulação permitiu conhecer o que é noticiado pelo jornalismo profissional ou pelos influenciadores digitais da web que têm produzido seus próprios conteúdos. Assim como, acessar a reação da audiência nos mais variados sites, redes ou plataformas digitais, por meio dos seus comentários, compartilhamentos e reações públicas de aprovação ou reprovação. Parte destas iniciativas anti-igualitárias envolvem criminalização do trabalho docente em temáticas das diferenças, proibição do ensino de danças de diferentes culturas, impedimento de linguagem inclusiva (neutra) nos documentos oficiais, incentivo de oração cristã nas instituições laicas, entre outras. Os dados levantados foram analisados em uma lente pós-crítica em Educação, isto é, que envolve teóricos da perspectiva da Teoria Quer, Estudos Feministas, Pós-coloniais, Estudos Subalternos, Estudos Culturais, etc. A hipótese inicial envolvia a compreensão da existência de um certo regime de visibilidade no que se refere aos temas dos Direitos Humanos, em especial àqueles mais sensíveis à realidade local, que se constitui nas mídias digitais permitindo o reconhecimento destes políticos em e por suas bases eleitorais.  Os resultados parciais indicam que, por meio desse regime de visibilidade, não apenas garante-se certo sucesso político-eleitoral a determinados sujeitos. Ele também é um modo de se produzir diferenças que, ao invés de serem ensinadas em seus modos de produção e reconhecimento por meio da Educação em Direitos Humanos, as colocam ameaçadas diante de uma realidade cada vez mais violenta, injusta e desigual. Dito de outro modo, a Educação ameaçada está em um contexto em que as próprias diferenças são ameaçadas, e que os Direitos Humanos se tornam cada vez mais um empecilho para os interesses políticos de certos grupos sociais.

Biografia do Autor

Tiago Duque, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Tiago Duque é professor da Faculdade de Ciências Humanas (FACH) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campus de Campo Grande) e do Mestrado em Educação (Campus do Pantanal - Corumbá). Desenvolveu estágio de Pós-Doutorado na Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Fez bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais e bacharelado em Ciências Religiosas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC Campinas. Foi professor e coordenou a área de sociologia no Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES) da mesma instituição. Também tem experiência como professor no Ensino Fundamental e Médio, Educação Social de Rua, Movimentos Sociais e Educação à Distância. Atuou no Governo Municipal de Campinas, na Secretaria de Saúde, como assessor do Núcleo de Educação e Comunicação Social (NECS) do Programa Municipal de DST/Aids. Participou da implementação da Área de Pesquisa "Diversidade sexual, poder e diferença" junto ao PAGU - Núcleo de Estudos de Gênero - UNICAMP. É coordenador do Impróprias - Grupo de pesquisa em gênero, sexualidade e diferenças (CNPq/UFMS). É membro da Comissão Permanente Consultiva de Ações Afirmativas da UFMS. Está como coordenador do GT 23 - "Gênero, Sexualidade e Educação" da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação da Região Centro-Oeste (ANPed -CO). É bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq - PQ nível 2 - Comitê de Assessoramento da Área de Educação/CA-EDU.

Publicado

31.12.2022