EDUCAÇÃO FÍSICA EM DIÁLOGO
A EDUCAÇÃO CORPORAL COMO OPORTUNIDADE DE RECOMEÇO
Palavras-chave:
EDUCAÇÃO CORPORA, EDUCAÇÃO FÍSICA, LINGUAGENS, DIREITOS HUMANOS, ESCOLAResumo
Quando falamos em educação corporal, de forma reducionista, fragmentada e incompleta, podemos pensar, apenas, nas possibilidades de desenvolvimento físico, no aperfeiçoamento de habilidades motoras e na promoção da saúde como sua determinação final, seu objeto fim. Contudo, ao refletirmos sobre a educação corporal em uma perspectiva de sujeito completo, assumimos que ela vai muito além de suas determinações biológicas, pois ela passa a agregar elementos que trazem a consciência corporal, a expressão corporal e os múltiplos cenários das manifestações da cultura corporal a luz da realidade do sujeito vivo, que sente, que ouve, que percebe, que fala, que vê e que pensa a partir de sua realidade concreta. Portanto, pensar sobre a educação corporal na perspectiva da totalidade é reconhecê-la como um dos fundamentos da vida humana e de sua condição objetiva. A partir desta premissa e assumindo-a como verdadeira, nos propomos a discutir, mesmo que de forma breve, a educação física escolar como uma oportunidade para a educação corporal, na medida em que ela atualmente está inserida na área de linguagens, como aponta a Base Nacional Comum Curricular e, pelo menos em primeira análise, acolhe a ideia de que o corpo, elemento essencial para a existência concreta humana, é muito mais que matéria, transcendendo a todo instante na sua existência. Assim, residindo na área de linguagens, a educação física escolar tem a chance de contribuir para a compreensão mais ampla e aprofundada das práticas corporais como formas de expressão, comunicação e cultura, ampliando seu papel, podendo torná-la mais significativa no processo de formação dos estudantes vinculados à educação básica. Por fim, apesar de incipientes, compreendemos estas reflexões como essenciais para a continuidade do sistema de superação do paradigma arcaico ainda presente na educação física escolar, alargando seu escopo na direção dos direitos humanos inalienáveis, como é o caso da educação básica e da educação física, na medida em que se apresentam novos modelos, mais sensíveis, mais inteligíveis e pensando a formação humana em um sentido de maior amplitude, de maior globalidade, de maior integralidade para todos e todas.