A NOVA FACE DO ESTADO FISCAL

TRIBUTAÇÃO, VIGILÂNCIA DIGITAL E LIBERDADE NO SÉCULO XXI

Autores

  • Lucas Willian Centro Universitário UniDomBosco

Palavras-chave:

FISCALIZAÇÃO DIGITAL, DIREITOS FUNDAMENTAIS, LIBERDADE, ESTADO FISCAL, TRIBUTAÇÃO

Resumo

O artigo propõe uma reflexão crítica e transdisciplinar sobre os impactos da era digital na conformação do Estado fiscal, com foco na tensão entre eficiência arrecadatória e a proteção das garantias fundamentais do contribuinte. O objetivo é compreender de que forma os avanços tecnológicos têm remodelado as relações entre o Fisco e o contribuinte, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre a busca por maior eficiência na arrecadação e a preservação dos direitos e liberdades individuais. Para tanto, realiza-se um resgate histórico da evolução da tributação, analisando como as práticas fiscais se transformaram ao longo do tempo, desde as formas mais primitivas de coleta de tributos até as mais complexas e automatizadas implementadas na era digital. Os avanços tecnológicos, ao promoverem uma automação crescente nas relações fiscais, resultam em uma maior capacidade de monitoramento e controle por parte do Estado. Nesse cenário, a privacidade e a autodeterminação informacional do contribuinte tornam-se questões centrais. O uso de dados digitais para otimizar a arrecadação e evitar fraudes levanta questionamentos sobre até que ponto esses processos podem comprometer os direitos fundamentais do indivíduo. A vigilância digital, em seu papel de aprimorar a eficácia da tributação, muitas vezes colide com os direitos à privacidade e à liberdade individual, gerando uma tensão que exige análise crítica. A abordagem insere-se no campo do Direito Tributário, mas também dialoga com outras áreas do saber, como a teoria constitucional, penal, filosofia política e os direitos fundamentais. A crescente interseção entre tecnologia e direito exige um olhar interdisciplinar para compreender as novas dinâmicas de poder e controle, em especial no que tange à emergência de novos conceitos, como a “liberdade existencial” e o direito à “privacidade mental”. Tais conceitos emergem em um contexto no qual a intimidade e as escolhas pessoais dos indivíduos estão cada vez mais sujeitas ao controle digital, sendo fundamentais para assegurar a autonomia do cidadão frente a um Estado fiscal cada vez mais invasivo. Diante desse cenário, torna-se necessário avaliar até que ponto a atuação fiscal digital pode comprometer ou transformar garantias historicamente conquistadas, como o devido processo legal, o sigilo de dados e a proporcionalidade na atuação estatal. A ideia de proporcionalidade, por exemplo, envolve a necessidade de equilibrar os interesses do Estado, como a arrecadação eficiente, com a proteção dos direitos fundamentais, de modo que o Estado não ultrapasse os limites do razoável na busca por eficiência. Nesse contexto, é imprescindível questionar até que ponto as inovações tecnológicas são compatíveis com os direitos constitucionais dos contribuintes, sem que haja desvirtuamento das garantias que têm sido, ao longo da história, elementos essenciais da justiça fiscal. Busca-se, portanto, não apenas destacar os desafios da tributação digital, mas também propor caminhos para a construção de um Estado fiscal que, ao se modernizar, preserve a dignidade e a liberdade do cidadão.

Publicado

06.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On77 - LIBERDADE NO SÉCULO DIGITAL