A NEUROPSICOPEDAGOGIA COMO PRÁTICA VOLUNTÁRIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

UMA EXPERIÊNCIA DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS EM UM MUNICÍPIO DO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, BRASIL

Autores

  • Renata T. Felicio Cenedesi UAB

Palavras-chave:

SAUDE MENTAL, ATENÇÃO PRMARIA A SAUDE, DIREITOS HUMANOS

Resumo

Objeto da pesquisa: esta pesquisa tem como objeto a atuação voluntária interdisciplinar em neuropsicopedagogia na Atenção Primária à Saúde (APS), em um município de pequeno porte do interior do estado de São Paulo, focalizando os impactos dessa prática na promoção da Saúde Mental de crianças, adolescentes e adultos com queixas relacionadas à aprendizagem, comportamento e sofrimento psíquico leve a moderado. Justificativa da relevância temática: a Saúde Mental é reconhecida como um direito humano fundamental, porém seu acesso ainda é restrito em muitos territórios, especialmente em municípios pequenos, onde a escassez de profissionais especializados e de ações terapêuticas continuadas compromete a integralidade do cuidado. Nesse contexto, a presença de iniciativas voluntárias pode preencher lacunas assistenciais importantes, contribuindo para a democratização do cuidado e a construção de redes de apoio mais eficazes e humanizadas. A proposta se alinha aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e aos compromissos com a equidade, a integralidade e a participação social. Metodologia: trata-se de um relato de experiência com abordagem qualitativa, realizado entre os meses de outubro de 2023 e outubro de 2024. As atividades ocorreram semanalmente na UBS, com atendimentos individuais de 30 minutos e grupos terapêuticos de 1 hora, voltados a crianças, adolescentes e adultos com queixas relacionadas à aprendizagem, comportamento e sofrimento psíquico leve a moderado. A equipe voluntária era composta por uma neuropsicopedagoga, uma recreacionista e duas pedagogas. Os grupos integraram dinâmicas cognitivas, oficinas lúdicas e rodas de conversa, alinhadas às necessidades observadas na escuta clínica e na demanda da equipe de saúde da UBS. A análise dos impactos foi feita por meio de observações sistemáticas, reuniões com a equipe de saúde e registros de evolução dos atendimentos. Resultados e Discussão: a inserção da neuropsicopedagogia na APS favoreceu o acesso a uma especialidade até então inexistente tanto na rede de Saúde quanto na de Educação do município, representando uma importante inovação na oferta de cuidados em saúde mental. O fluxo de encaminhamento, realizado diretamente pelo serviço de Saúde, permitiu identificar precocemente e acompanhar crianças e adolescentes com transtornos como TOD, TEA e TDAH, além de oferecer suporte contínuo às suas famílias. A abordagem integrada e centrada no território promoveu a participação ativa da comunidade, fortalecendo os vínculos entre usuários, equipe de Saúde e rede de apoio local. As intervenções individuais e em grupo estimularam funções cognitivas, habilidades socioemocionais e estratégias de enfrentamento, resultando em melhora do rendimento escolar, da convivência familiar e da autoestima dos usuários. A atuação voluntária qualificou o cuidado ofertado na UBS, ampliando o olhar da equipe para as dimensões subjetivas, sociais e educativas da saúde mental. Conclusão: a experiência evidencia que práticas voluntárias qualificadas, como a neuropsicopedagogia, podem contribuir significativamente para a efetivação dos direitos humanos no âmbito da saúde mental, especialmente em contextos de vulnerabilidade e interiorização dos serviços. Ao promover acesso, escuta e cuidado humanizado, essa ação reforça a importância de estratégias interdisciplinares e colaborativas na construção de sistemas de saúde mais justos, sustentáveis e universalmente acessíveis.

Publicado

06.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P36 - DIREITOS HUMANOS E SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE: DESAFIOS EPISTEMOL