RESISTÊNCIA, RESPONSIVIDADE E EMPODERAMENTO FEMININO

ANÁLISE DE RAPS DE NEGRA LI E DE KMILA CDD

Autores

  • Tatiana Aparecida Moreira Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

Palavras-chave:

raps, análise, Negra Li, Kmila CDD, dialogismo

Resumo

O Hip Hop é um movimento cultural que nasceu conquistando e desbravando espaços, refletindo e refratando situações e demandas sociais. O Hip Hop tem como elementos: a dança break, realizada pelos b. boys e b. girls; a arte de rua do grafite feita pelos grafiteiros; o DJ e o rapper ou MC (Mestre de Cerimônia) que produzem o rap (rhythm and poetry, ou seja, o ritmo e a poesia), além do denominado conhecimento de si, cunhado por Afrika Bambaataa (Silva, 1998). Em se tratando do cenário do rap brasileiro, há diversidade de artistas, de performances e de discursos. Levando em conta essa heterogeneidade, neste trabalho, vamos focar em raps produzidos por mulheres, em especial, os vinculados à Negra Li e à Kmila CDD. Negra LI, paulista, tem cerca de trinta anos de carreira e Kmila CDD, carioca, com mais de vinte anos em atividade. Raps como “A voz da resistência”, “Raízes” e “Negra Livre”, de Negra Li, e “Preta cabulosa, “Guerra” e “Ciranda da Vida”, de Kmila CDD, são canções potentes, pois abordam temáticas diversas, tais como empoderamento feminino, lutas sociais, resistência, entre outros. Assim, a análise das canções das rappers se justifica pelo teor crítico e dialógico de suas canções, bem como por terem carreiras consolidadas. Para realizar a análise, os pressupostos teóricos e metodológicos que embasam o trabalho são os do Círculo de Bakhtin (2016, 2019, 2021) sobre atitude responsivo-ativa, gêneros do discurso, alteridade e dialogismo. A análise dos raps das artistas está inserida em nosso projeto de pesquisa no qual focamos na produção, circulação e recepção de discursos sobre canções afro-brasileiras. Desse modo, pretendemos evidenciar quais discursos são mobilizadas nas canções das rappers, como os ligados a questões sobre ancestralidade e resistência, e como essas reflexões podem fomentar críticas e questionamentos acerca dessas situações ao receberem tratamento teórico, metodológico e analítico, por meio de pesquisa qualitativa e bibliográfica.

Biografia do Autor

Tatiana Aparecida Moreira, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-São Paulo-Brasil).

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P27 - MULHERES: RESISTÊNCIAS, LUTAS E MEMÓRIAS