A HEGEMONIA MASCULINA EM CARGOS DE ALTA GESTÃO
FALTA DE EQUIDADE DE GÊNERO E ETÁRIA
Palavras-chave:
trabalho feminino, equidade de gênero, mulheres mais velhas, altos cargosResumo
Com o objetivo de discutir a presença de mulheres mais velhas em cargos de alta gestão no Brasil, este trabalho apresenta um recorte de minha pesquisa de mestrado em andamento, a ser defendida em setembro do corrente ano, e explora a questão da equidade de gênero e etária a partir deste olhar.
A questão etária impacta sobremaneira as vidas das mulheres e, alcançar os cargos de alta gestão demonstra ser ainda mais complicado dada a estrutura patriarcal, colonial e misógina da sociedade e, consequentemente, das instituições que nela estão construídas. Não havendo as mesmas condições para a ascensão profissional entre homens e mulheres, não será possível alcançarmos a equidade de gênero, residindo aí a relevância deste trabalho.
Utilizando a pesquisa empírica realizada a partir de relatórios enviados pelas empresas listadas à Bolsa de Valores no período de 2023/2024 para contextualizar a quantidade de homens e mulheres em cargos de alta gestão e suas idades aliada a material teórico relacionado às áreas do trabalho, da administração e das ciências sociais (pelas interseccionalidades), busca-se apresentar as dificuldades enfrentadas por mulheres e mulheres mais velhas para estarem em cargos de alta gestão.
Partindo da hipótese de que há mais homens do que mulheres nestes cargos e que esta facilidade se dá pela já hegemonia destes nestas posições, a pesquisa empírica realizada apurou que 17% das cadeiras são ocupadas por mulheres. Em relação à faixa etária, o grupo com mais de cinquenta anos é o que concentra mais executivos de ambos os sexos, sendo que os homens somam 1224 executivos e as mulheres, 314.
Busca-se, a partir da análise deste breve recorte, trazer à discussão que a equidade de gênero a ser praticada pelas empresas aparenta residir apenas em um discurso repetido em campanhas de diversidade específicas. Sugere-se aqui que, para além de políticas internas de empresas, estas sejam apoiadas por ações constantemente reforçadas pela prática rotineira de todos os cidadãos e que incluam as mulheres mais velhas em processos de seleção, promoção e manutenção de suas carreiras, considerando que estas não são homens e, portanto, têm suas carreiras construídas de maneira diversa.