LETRAMENTOS QUEER
UM PROJETO EM PROL DA CULTURA DE PAZ NA ESCOLA
Resumo
Sabe-se que a escola é espaço de socialização e de diversidade. Em pleno século XXI, porém, o respeito às pluralidades ainda permanece um desafio a ser alcançado, sobre o qual se necessita ensinar e aprender. Frente a este cenário, o presente trabalho objetivou contribuir para o exercício dos Direitos Humanos e da cultura de paz em ambiente escolar, por meio do aprimoramento de competências linguísticas que se puderam desenvolver mediante ao projeto intitulado “Letramentos Queer”. Metodologicamente, as etapas das ações realizaram-se numa perspectiva qualitativo-interpretativista, fundamentada à luz dos Estudos Críticos do Discurso (ECD), cujos trabalhos acerca de diversidade sexual e de gênero apoiaram-se nas contribuições da filósofa contemporânea Butler (2024), dos linguistas Fairclough (2016) e Melo (2024) e dos professores Damaceno (2024) e Menezes (2019). A partir do componente curricular “Eletiva Livre”, alunas/os/es matriculados no Ensino Médio em Tempo Integral de uma escola pública do estado de Sergipe, no Brasil, ampliaram seu repertório sociocultural por meio de i) conceitos oriundos da Linguística Queer – tais como “contrabando discursivo” e o dialeto “Pajubá” –; ii) de ações como rodas de conversa a respeito de questões interseccionais de gênero; iii) de interações e de intercâmbios com movimentos e instituições que lutam pelos direitos de pessoas LGBTQIAPN+ no país, a exemplo do grupo “Mães pela Diversidade”. Os resultados do projeto apontaram para a conformidade de seus objetivos ao passo que demonstraram, via depoimentos de alguns alunos, a capacidade transformadora do conhecimento em detrimento da ignorância; e da empatia em lugar da indiferença. Diante disso, Confirma-se a necessidade de ampliar o alcance de ações similares nessa e em outras instituições de ensino, porquanto compreende-se que o processo de emancipação dos sujeitos está diretamente relacionado à criticidade e aos empoderamentos alcançados por esses indivíduos, frente às violências que se lhes imputam in loco e para além do chão da escola.