O EMPREENDEDORISMO FEMININO
COMO UMA POLÍTICA DE COMBATE Á VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E PREVENÇÃO AO FEMINICÍDIO
Palavras-chave:
Empreendedorismo feminino, Empoderamento feminino, FeminicídioResumo
O presente trabalho tem como propósito apresentar o empreendedorismo feminino como uma política de combate à violência contra a mulher e prevenção ao feminicídio, tendo como de partida analisar a trajetória histórica da mulher, seu papel na sociedade e as diversas formas de violência — física, sexual, emocional e psicológica — que as mulheres sofrem pelo simples fato de ser mulher. A cultura machista enraizada desde o período colonial persiste nos tempos atuais e continua afetando drasticamente — e, em muitos casos, fatalmente — a vida de inúmeras mulheres. As consequências da dominação masculina têm se agravado de forma alarmante, pois sob a opressão estrutural de um sistema patriarcal, muitas mulheres têm seus direitos violados, sofrem diariamente e, em casos extremos, perdem a vida, tornando-se vítimas do fenômeno social conhecido como feminicídio, [...] “patriarcalismo é uma situação na qual, dentro de uma associação, na maioria das vezes fundamentalmente econômica e familiar, a dominação é exercida (normalmente) por uma só pessoa, de acordo com determinadas regras hereditárias fixas”, (WEBER, 2000, p. 184). Neste cenário machista, o empreendedorismo feminino emergiu como uma alternativa de resistência e transformação, impulsionado pelo movimento feminista. Ao longo de décadas, o feminismo vem mobilizando mulheres politicamente, promovendo lutas por direitos, justiça, empoderamento, igualdade e reconhecimento profissional. Consolidou-se como uma estratégia de enfrentamento das desigualdades de gênero e de promoção da autonomia econômica, pois se tornou uma política de construção de autonomia e de equiparação de direitos entre os sexos, onde as mulheres assumem posições de relevância no mundo empresarial, lideram e em uma dupla jornada, ainda agregam ao papel de donas de casa, mães, filhas e esposas, o papel de protagonistas do crescimento econômico. Ressalto que as iniciativas governamentais, por meio de políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica, assim como ações promovidas por empresas privadas e entidades não governamentais, desempenham um papel fundamental no combate à violência de gênero. Tais iniciativas não apenas contribuem para a conscientização dos seus direitos e valores, como também promovem o empoderamento feminino, especialmente por meio do incentivo ao empreendedorismo, fortalecendo a independência financeira e autonomia econômica das mulheres, ampliando suas possibilidades de rompimento com ciclos de violência. Nesse contexto, torna-se evidente a relevância de investimentos contínuos, políticas públicas eficazes, medidas protetivas eficientes e mecanismos de fiscalização rigorosos como estratégias indispensáveis para a reversão do atual cenário de desigualdades, o fortalecimento da mulher, o resgate de sua autoestima e a garantia de sua plena participação na economia e na sociedade.