MOVIMENTO DE MULHERES NEGRAS NO INTERIOR DA COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS – CONVERGÊNCIAS E TENSÕES

Autores

  • Dandara Vicente Soares Freie Universität Berlin

Palavras-chave:

MOVIMENTO DE MULHERES NEGRAS; COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS; BRASIL; LUTAS; DIREITOS DE MULHERES NEGRAS

Resumo

O presente trabalho apresenta como objeto de pesquisa o movimento de mulheres negras pertencente à Coalizão Negra por Direitos, articulação nacional brasileira fundada em 2019, composta por 294 entidades e organizações do Movimento Negro Brasileiro contemporâneo. O propósito desta é lutar contra o racismo e o sexismo, bem como por democracia e justiça social, cobrando do Estado brasileiro através dos seus três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, que promova a garantia de direitos da população negra brasileira. A relevância temática desta investigação fundamenta-se na urgência do tema a ser estudado e analisado nos tempos atuais, uma vez que vivemos em uma polarização política constante no Brasil, desde o impeachment presidencial contra Dilma Rousseff, em 2016, o qual culminou, dois anos depois, na eleição de Jair Bolsonaro. A polarização política expõe uma fragilidade maior aos grupos oprimidos, mulheres, negros e LGBTQIAPN+, ao que se refere à manutenção de direitos destas populações.  A vitória de Bolsonaro se consolida em uma agenda avessa a grupos oprimidos, o que impõe àqueles grupamentos resistir e lutar pela promoção da garantia de direitos destes, e continuar com esta agenda mesmo em meio ao governo progressista de Lula da Silva, ascendente em 2023, dentre outras razões porque o bolsonarismo é um espectro político que não sofreu declínio com a saída de Bolsonaro da presidência do Brasil.  Destarte, é de suma importância analisar, compreender e investigar a agenda de lutas por direitos do movimento de mulheres negras inserido na Coalizão Negra por Direitos, pois as mulheres negras despontam como protagonistas de resistências não apenas contra o bolsonarismo, mas também ao longo da História do Brasil. Os objetivos da pesquisa são investigar como gênero e raça se articulam dentro da Coalizão; e em quais pontos estes marcadores apresentam tensões e convergências a partir da análise de funcionamento da Coalizão e da Criola, a qual é uma organização inserida na Coalizão e que tem como agenda prioritária a defesa e promoção dos direitos de mulheres negras. Estes objetivos consistem em compreender se a Criola encontra dificuldade ou não de colocar as pautas relativas às reivindicações dos movimentos de mulheres negras como centrais nas demandas que a Coalizão leva em suas reivindicações ao Estado brasileiro. A metodologia utilizada é qualitativa, com um viés colaborativo, posto que eu realizarei um trabalho de campo colaborativo juntamente com a Criola.  Farei grupos focais e entrevistas semiestruturadas com os membros da organização e entrevistas semiestruturadas com integrantes da Secretaria Operativa da Coalizão. Atualmente, estou realizando levantamento bibliográfico acerca do tema investigado. As hipóteses iniciais correspondem à Coalizão evidenciar outras prioridades em sua agenda de defesa de direitos da população negra, tais como a pauta da segurança pública, que atinge diametralmente a população negra, alvo de homicídios – por polícias estaduais e federais. Por conseguinte, a Coalizão negligencia a luta em defesa dos direitos de mulheres negras, apesar de realizar ações pontuais relativas a esta pauta. Estas hipóteses baseiam-se na agenda de lutas e ações proposta pela Coalizão, consoante informações que aparecem no site desta articulação.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P27 - MULHERES: RESISTÊNCIAS, LUTAS E MEMÓRIAS