PROJETO ‘REALITIES’

O DIREITO À SAÚDE DE GRUPOS VULNERÁVEIS NA ESCÓCIA

Autores

  • Andrea Rodriguez University of Dundee

Palavras-chave:

Direito a Saúde, Vulnerabilidades, Abuso de Drogas, Pessoas em Situação de Rua, Pesquisa Participativa

Resumo

O direito à saúde é inseparável de outros direitos humanos, incluindo os direitos à educação, participação, alimentação, moradia, trabalho e informação. Grupos vulnerabilizados frequentemente apresentam os piores indices em saúde em comparação a outros grupos da sociedade. O direito à saúde é um direito de todos, mas vemos a fragilidade dessa premissa sendo sistematicamente violada quando o acesso à saúde e o bem-estar de grupos vulnerabilizados ​​tem sido historicamente limitado. ‘REALITIES Project - Disparidades em Saúde, Pesquisando Alternativas Baseadas em Evidências em Sistemas Vivos, Imaginativos, Traumatizados, Integrados e Incorporados’ é um consórcio de 35 organizações que possui hubs estabelecidos em cinco cidades da Escócia. O projeto irá co-produzir um modelo em saúde com a participação de comunidades pobres e grupos vulnerabilizados, que abordem em conjunto a complexidade das desigualdades em saúde de grupos em situação de rua ou que usam drogas. A Escócia tem uma das maiores taxas de mortalidade por uso de drogas do mundo. Pessoas em situação de rua frequentemente apresentam problemas de saúde complexos e interconectados, incluindo o uso abusivo de drogas e outras substâncias. Esta pesquisa-intervenção busca oferecer uma alternativa ao modelo médico centrado na doença, mudando a maneira como pensamos, definimos, evidenciamos, monitoramos, avaliamos e alocamos recursos para o sistema de saúde. Objetivos: Nosso projeto de pesquisa mais amplo, financiado pelo UKRI, com duração de 3 anos, visa explorar os diferentes fatores bio-psico-sociais e políticos que promovem a saúde e o bem-estar de pessoas em situação de vulnerabilidade, como aquelas em tratamento por conta do uso de drogas e/ou em situação de rua. Temos como objetivo re-imaginar um sistema de saúde que seja co-criado com as comunidades e as pessoas que usam os serviços na perspectiva de produzir modelos mais colaborativos e integrados. Metodologia: O trabalho proposto utiliza metodologias participativas, artes, e ‘co-desing’ para compreender como os formuladores de políticas, profissionais de saúde e assistência social, e as comunidades  podem desempenhar um papel central na garantia do direito a saúde daqueles que frequentemente são excluídos do sistema. Utilizamos observação etnográfica, etnografia reflexiva com uso de vídeo, grupos focais, entrevistas semi-estruturadas, eventos comunitarios para a troca de conhecimento, workshops e questionários. Resultados parciais: Um programa de 6 semanas para pessoas em tratamento do uso de drogas e/ou em situação de rua foi elaborado em conjunto com as principais partes interessadas. As trajetórias e as percepções de grupos vulnerabilizados que percorrem o sistemas de saúde na Escócia estão sendo coletadas e contribuirão para a identificação de estrategias necessárias a afirmação do direito à saúde bem como ao alcance de uma equidade em saúde.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P26 - POBREZA E DIREITOS HUMANOS: O DESAFIO DA EQUIDADE DE GÊNERO