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EVIDÊNCIAS DA RELAÇÃO ENTRE DESIGUALDADE E JUSTIÇA CLIMÁTICA

Autores

  • Tiago Balieiro Cetrulo Unicamp

Palavras-chave:

INJUSTIÇA CLIMÁTICA, RIO GRANDE DO SUL, DESIGUALDADE SOCIAL, DIREITOS HUMANOS, MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Resumo

A (in)justiça climática é uma área de pesquisa recente, mas há reconhecimento da literatura científica (por exemplo: Bulkeley et al., 2014; Granberg e Glover, 2021; Alves e Mariano, 2018; Petersen e Ducros, 2022) sobre a desproporcionalidade com que as mudanças climáticas afetam as populações vulneráveis, como minorias sociais, moradores de ruas, pessoas com deficiências, mães solteiras e pessoas pobres. As injustiças climáticas se dão em função: a) da maior exposição desses grupos, por exemplo a proporção de pessoas vulneráveis que perdem vidas em desastres climáticos como inundações, deslizamentos e furacões (Kashwan, 2021), b) da maior sensibilidade, pois esses grupos têm certas características (relacionadas, por exemplo, à saúde e desnutrição e desinvestimentos em serviços públicos de seus bairros) que os tornam mais propensos a serem afetados (Buse e Patrick, 2020), ou c) menor capacidade de adaptação, uma vez que esses grupos têm menos recursos, educação e treinamento, menos acesso a apoio institucional, serviços de saúde e informações e menos oportunidades de participar na tomada de decisões (Amorin-Maia et al., 2022). Embora haja esse reconhecimento conceitual, até onde sabemos não existem estudos que explicitem essas injustiças na prática. A presente pesquisa tem como objetivo suprir essa lacuna ao examinar se determinados marcadores sociais influenciaram a maior exposição de grupos específicos em relação aos impactos das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Parte-se do pressuposto de que as populações mais marginalizadas apresentavam maior exposição aos perigos climáticos. A metodologia considera a necessidade de se incorporar múltiplas escalas espaciais e diferenças socioeconômicas, levando a uma avaliação mais confiável e integrada da vulnerabilidade às mudanças climáticas (Jonnson et al., 2012). Nossa proposta é desenvolver um método de avaliação de vulnerabilidade socioclimática, que incorpore de forma mais contundente avaliações espaciais multidimensionais de exposição dos residentes aos eventos hidrológicos extremos. Para tanto, iremos utilizar uma abordagem espacial, que combina dados referentes à suscetibilidade a desastres com indicadores socioeconômicos oriundos de bancos de dados públicos e institucionais.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On88 - MEIO AMBIENTE COMO DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL