NEUROTECNOLOGIAS NO TRABALHO

DESAFIOS ÉTICOS E A URGÊNCIA DA REGULAMENTAÇÃO DOS NEURODIREITOS

Autores

  • erotilde ribeiro dos minharro Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

Resumo

O presente estudo aborda a crescente aplicação de neurotecnologias no ambiente de trabalho e a necessidade premente de regulamentar os neurodireitos como forma de proteção aos direitos humanos da classe trabalhadora. O objeto da pesquisa é analisar como dispositivos de neurotecnologia — incluindo sensores de atividade cerebral, interfaces cérebro-computador e wearables — vêm sendo utilizados para monitoramento de produtividade, detecção de estresse e gerenciamento de desempenho, o que traz preocupações éticas e jurídicas. A relevância temática decorre da expansão do uso dessas tecnologias, que transformam a forma de gestão da força de trabalho e colocam em risco direitos fundamentais como privacidade, autonomia mental, liberdade de pensamento e dignidade humana. Embora apresentem potencial para melhorar a saúde ocupacional e prevenir acidentes, tais tecnologias podem ser usadas como instrumentos de vigilância e controle excessivos, aprofundando desigualdades e impactando negativamente a saúde mental dos trabalhadores. O estudo tem como objetivos mapear as principais neurotecnologias atualmente implementadas ou em desenvolvimento no contexto laboral; identificar os riscos e desafios éticos e jurídicos de sua utilização; discutir a necessidade de regulamentação que garanta os neurodireitos trabalhistas, com base nos princípios constitucionais e nos tratados internacionais de direitos humanos; e propor diretrizes para a formulação de políticas públicas e normativas adequadas à proteção da dignidade humana no trabalho. A metodologia empregada foi a pesquisa bibliográfica e documental, com análise crítica interdisciplinar, envolvendo literatura acadêmica especializada em direito do trabalho, neurociências e bioética, além de relatórios de organizações internacionais que tratam dos direitos humanos na era das novas tecnologias. A hipótese inicial é que a ausência de regulamentação específica sobre neurotecnologias no ambiente laboral amplia a vulnerabilidade dos trabalhadores, possibilitando violações de direitos fundamentais, como a invasão da privacidade mental e a manipulação de dados cerebrais sem consentimento adequado. Os resultados parciais indicam que países como Chile, Estados Unidos e União Europeia já avançam em discussões sobre neurodireitos, enquanto o Brasil ainda carece de arcabouço normativo que assegure a proteção necessária aos trabalhadores. Conclui-se que é urgente integrar os neurodireitos ao direito do trabalho brasileiro, de modo a garantir o equilíbrio entre inovação tecnológica e respeito à dignidade humana.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On78 - NEURODIREITOS TRABALHISTAS