Violência sexual e de género em conflito armados
uma análise a partir da violência sexual perpetrada contra homens
Palavras-chave:
Violência sexual e de género, conflito armado, homens e meninos, masculinidades, torturaResumo
Esta investigação tem como objetivo fazer uma análise sistemática ao fenómeno da violência sexual e de género em conflito armado (VSGCA) incidindo nos homens como vítimas desta forma específica de violência. No geral, não se trata de um fenómeno novo, nem sequer pouco estudado. No entanto, os homens têm sido, esmagadoramente, enquadrados como agressores e pouco ou nada como vítimas de violência sexual em conflito armado (Brouwer e Ruiz, 2019). Este silenciamento tem enviesado as análises ao fenómeno da violência sexual e de género em conflito armado nas várias áreas do conhecimento. O estudo pioneiro de Sandesh Sivakumaran (2007) trouxe os homens para o centro da discussão, abrindo as análises a vítimas, até então, marginalizadas e invisibilizadas. O objetivo da violência sexual em conflito armado não se resume à satisfação sexual dos perpetradores, mas à destruição da coesão social e humilhação das vítimas. No caso dos homens, o objetivo é ainda mais perverso, procurando extirpar os homens da sua masculinidade, desumanizando-os e, desta forma, eliminar a resistência. Por outro lado, também a masculinidade dos perpetradores é reforçada através da violação de opositores ou outros dissidências (Garrido, 2021). Nos atos de violência sexual e de género contra homens enquadram-se a nudez forçadas, a mutilação genital, masturbação forçada, a coação na performance de atos sexuais, entre outros. Muitas vezes, tais atos são enquadrados como tortura, o que, na perspetiva de Thomas Charman (2018) tem contribuído para a invisibilidade do fenómeno. Partindo deste contexto, esta investigação pretende fazer uma análise sistemática ao fenómeno da violência sexual e de género em conflito armado a partir de uma abordagem, adotando uma metodologia qualitativa, que cruza fontes primárias com fontes secundárias. Espera-se, desta forma, contribuir para o conhecimento das dinâmicas de violência de género em conflito armado.