A HOSPITALIDADE ESCOLAR E ALTERIDADE
ACOLHIMENTO COMO DIREITO HUMANO NA RELAÇÃO EDUCACIONAL
Palavras-chave:
HOSPITALIDADE; ALTERIDADE; DIREITOS HUMANOS; PRÁTICAS PEDAGÓGICAS; JUSTIÇA.Resumo
O presente resumo tem como objeto de pesquisa a hospitalidade escolar, analisada como princípio ético-filosófico central para a efetivação dos direitos humanos na educação. A relevância do tema se justifica diante dos desafios éticos e sociais enfrentados pelas escolas contemporâneas, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, étnico-racial e afetiva, onde práticas pedagógicas excludentes ainda persistem e dificultam a construção de ambientes verdadeiramente humanizadores. A pesquisa parte da hipótese de que a hospitalidade, compreendida para além de um gesto protocolar, pode ser ressignificada como prática de justiça e reparação, transformando a relação entre educadores e educandos e promovendo o reconhecimento da alteridade e da dignidade de cada sujeito. O objetivo geral é discutir em que medida a hospitalidade pode ser concebida como princípio estruturante de práticas pedagógicas humanizadoras, ressignificando o vínculo educador-educando como espaço de escuta, presença e responsabilidade ética. Os objetivos específicos incluem: analisar a fundamentação filosófica da hospitalidade e da alteridade nos pensamentos de Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida; identificar potencialidades e desafios da hospitalidade como prática pedagógica em contextos escolares vulneráveis; e sugerir caminhos para políticas e práticas escolares que promovam o acolhimento como direito humano fundamental. A metodologia adotada é qualitativa, de natureza bibliográfica e hermenêutica, com análise crítica de obras filosóficas, educacionais e políticas, articulando teoria e realidade escolar. O estudo ancora-se nos aportes de Lévinas, que propõe a responsabilidade irrestrita pelo outro como fundamento da ética, e de Derrida, que distingue entre hospitalidade condicional (institucional) e incondicional (ética), desafiando a escola a superar limites normativos para acolher o absolutamente outro. O diálogo com Paul Ricoeur, Anne Gotman e Julian Pitt-Rivers amplia a compreensão das tensões entre hospitalidade simbólica, condicional e as estruturas escolares excludentes. Os resultados parciais evidenciam que, em contextos marcados por exclusões históricas, a hospitalidade deve ser entendida como prática de justiça e reparação, condição para o exercício pleno do direito à educação. Práticas pedagógicas centradas na hospitalidade promovem inclusão, pertencimento, redução de discriminação e fortalecimento da dignidade, ao mesmo tempo em que desafiam barreiras institucionais e culturais. A análise aponta ainda para a necessidade de políticas públicas que revisem normas escolares, invistam em formação docente e garantam recursos para práticas de acolhimento, além de sugerir indicadores qualitativos e quantitativos para avaliação do impacto dessas ações. Conclui-se que a hospitalidade, ao ser incorporada como eixo transversal das políticas e práticas escolares, contribui para a construção de ambientes mais justos, inclusivos e emancipadores, reafirmando seu papel central na promoção dos direitos humanos e no fortalecimento da educação como prática de liberdade e justiça.