RECURSOS DIDÁTICOS E LITERÁRIOS BILÍNGUES NA EDUCAÇÃO DE SURDOS
PARTILHA DE EXPERIÊNCIAS POR ACESSIBILIDADE LINGUÍSTICA COMO DIREITO HUMANO BÁSICO
Palavras-chave:
Direitos Humanos, Acessibilidade Linguística, Língua(s) de Sinais, Português como L2, Educação Bilíngue para SurdosResumo
Expressar-se em uma língua é imprescindível! Expressar-se em mais de uma língua é libertador, em especial, quando se vive imerso em um ambiente em que a língua dominante é a do “outro” e, principalmente, quando não se é compreendido, devido a alguma barreira cultural, física e/ou sensorial. Isso ocorre, no geral, com os sujeitos surdos no mundo inteiro, visto que no entorno poucas ou nenhuma pessoa conhece/interage por meio de sua língua, na língua de sinais (LS). Este trabalho objetiva partilhar experiências em torno da acessibilidade linguística no âmbito da educação de surdos, por meio do uso de repertórios lexicoterminológicos do site https://redesurdosce.ufc.br, e de práticas pedagógicas na adoção da Literatura Surda, com obras literárias brasileiras. Trata-se de um recorte de uma pesquisa realizada em um estudo de pós-doutorado em Portugal (Universidade de Évora e escola em Lisboa) em interface com experiências do Brasil (Universidade Federal do Ceará/UFC e uma escola de Fortaleza-CE). No pós-doutorado, é objetivo geral desenvolver um estudo com produção e uso de materiais didáticos funcionais bi/trilíngues (Libras-Língua Portuguesa-Língua de Sinais Portuguesa) a fim de ampliar o leque de possibilidades a educandos surdos no uso do Português como segunda língua (L2). A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida pela Lei federal nº 10.436/2002 como a língua das comunidades surdas do Brasil. Já a Língua Gestual Portuguesa (LGP), conforme a Constituição da República Portuguesa, refere-se ao idioma da comunidade surda portuguesa. Tais línguas são o veículo de comunicação e de expressão cultural dessas minorias linguísticas. Metodologicamente falando, importantes fontes referenciais foram perscrutadas: documentação legislativa regulatória; arquivos de escolas visitadas, dissertações e teses, entre outras. Além disso, sistematiza-se os registros de sinais da LGP junto ao material produzido em plataforma digital da UFC. São fundamentos da pesquisa, além da legislação dos dois países, os Estudos Surdos, os estudos de Português como segunda língua e das tecnologias da informação e comunicação-TICs, unindo a áreas afins como a Terminologia em Libras), em LGP (denominada em trabalhos acadêmicos como Língua de Sinais Portuguesa-LSP) e em Língua Portuguesa (LP). A relevância deste trabalho se constitui na busca de dirimir situações de desencontros linguísticos entre falantes de línguas orais e falantes de línguas de sinais, pois busca a promoção de um ambiente de aprendizagem que valoriza a língua dos estudantes surdos como primeira língua e a língua pátria como segunda língua, conforme a legislação vigente. Os resultados parciais apontam para o fortalecimento da identidade cultural de educandos surdos, a diversificação de estratégias de ensino nas aulas de línguas de sinais (Libras/LGP) e o favorecimento na aprendizagem do português como L2 aos aprendizes. Este estudo conta com o apoio do CNPq e Ministério da Igualdade Racial-Brasil através do Programa Atlânticas Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência e vincula-se ao Projeto “Rede Surdos-CE: sinalário escolar e acadêmico” da UFC. Assim, considera-se as especificidades linguísticas dos aprendizes surdos como direito humano imprescindível, já que a língua natural destes diverge daquela utilizada em livros e em sala de aula: o português padrão, sua segunda língua.