A PEDAGOGIA DE DIREITOS HUMANOS E OS NOVOS SUJEITOS SOCIAIS

A CENTRALIDADE NA PROFESSORA NEGRA ALFABETIZADORA

Autores

  • Maria Cristina Rodrigues Unicamp

Palavras-chave:

CIDADANIA, EDUCAÇÃO COMO DIREITO, PROFESSORA NEGRA ALFABETIZADORA, PEDAGOGIA DE DIREITOS HUMANOS

Resumo

Este trabalho é fruto de uma pesquisa bibliográfica, cuja investigação pretende abordar novas perspectivas para uma pedagogia de direitos humanos, a partir do lugar de fala da professora negra alfabetizadora da escola pública brasileira. Esse estudo procura problematizar a consciência política dos novos sujeitos sociais (Nunes, 2013) – indivíduos historicamente excluídos do direito à cidadania – salientando a complexidade das relações sociais, políticas e econômicas em que estão inseridos. Ancorado em Nina Ranieri (2009), esse percurso reflexivo concebe a cidadania como o "software" da democracia e analisa como a busca pela ascensão econômica e a garantia de participação social, embora legítimas, encontram uma contradição epistemológica fundamental quando se pretendem realizar pela aceitação acrítica dos pilares de dominação. Tal caminho, ao invés de gerar mentalidades transformadoras capazes de operar um "hardware" democrático inclusivo, subverte a própria condição de sujeito de direitos, perpetuando o padrão de normalidade estrutural da sociedade brasileira, bem como o silenciamento e a invisibilidade desses sujeitos (hooks, 1994; Ribeiro, 2017). Ainda, conjectura-se sobre a concepção da educação e direitos humanos e novas possibilidade de perspectivas pedagógicas. Nesse contexto, o estudo busca discutir sobre o lugar de fala dos novos sujeitos sociais, cuja centralidade é habitada na mulher negra, professora alfabetizadora, formadora de novos sujeitos, multiplicadora de práticas educativas e pedagógicas. O desenvolvimento de uma prática consciente e coerentemente com uma pedagogia de direitos humanos promove, ativamente, a superação das categorias de dominação destacadas por (hucks,1994): racismo, sexismo e classismo. A valorização da mulher negra, professora alfabetizadora nessa investigação, reside na sua potencialidade de desmantelar esse padrão de opressão numa dimensão interseccional (hucks, 1994) para elucidar uma educação com perspectivas pedagógicas emancipatórias. Concluímos, reiterando, que o direito da professora negra de erguer sua voz é, portanto, essencial para construir uma pedagogia de direitos humanos (Nunes, 2021) que compreende a formação de novos sujeitos sociais conscientes da necessidade de transformação das estruturas rígidas e cristalizadas da nossa sociedade.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P31 - EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E DIREITOS HUMANOS: EPISTEMOLOGIA, ONTOLOGIA