CORPO-TERRITÓRIO E TRANSDISCIPLINARIDADES
DIREITOS HUMANOS EM PAUTA NOS ESPAÇOS DO APRENDER
Palavras-chave:
CORPO-TERRITÓRIO, TRANSDISCIPLINARIDADE, ESPAÇOS DO APRENDER, COMUNIDADES TRADICIONAIS, DIREITOS HUMANOSResumo
Esta comunicação reflete metodologias para o ensino das Artes, voltadas a comunidades indígenas, tradicionais, rurais e periféricas, em diferentes contextos e regiões do Brasil. As reflexões partem da experiência de ações pedagógicas realizadas em situações distintas: junto a comunidades indígenas do povo Jamamadi e Pupỹkary/Apurinã, durante os meses de março a novembro de 2023, na Terra Indígena Lourdes-Cajueiro, município de Boca do Acre (Amazonas); e junto a crianças e jovens do Assentamento Denis Gonçalves, no município de Goianá (Minas Gerais), em outubro de 2024; também partem dos entrelaçamentos de nossas histórias prévias, como educadoras-artistas e educandas. Com esta comunicação, procuramos entender as dimensões por onde nós, como educadoras-artistas, podemos circular nos espaços do aprender entre culturas, considerando as co-construções que ali são feitas entre todos os participantes no momento das aulas, de acordo com as necessidades das comunidades em que atuamos. A relevância deste trabalho se confirma quando notamos que, nas comunidades tradicionais faz-se profundamente necessário levar em conta o contexto que os discentes e docentes estão inseridos e a complexidade de suas realidades. Nas experiências citadas, partimos de jogos teatrais (com aportes de Augusto Boal, jogos teatrais de Viola Spolin, bibliografia de Paulo Freire), e atividades artísticas que refletiram, de maneira transdisciplinar, o corpo e o território, pensando a multiplicidade sociocultural, mediante exercícios teóricos e práticos que refletiam a temática da Acessibilidade e dos Direitos das Pessoas com Deficiência, e também tratando sobre temas que envolviam pautas dos Direitos Humanos, soberania alimentar, cultural e linguística, demarcação e reforma agrária, sobre movimentos sociais e combate a diversos tipos de violências, e sobre o papel da Arte na valorização das potencialidades a partir de singularidades. Para o X Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra, trazemos a reflexão sobre como o ensino das Artes pode ser construído de maneira sensível e coletiva, considerando realidades e formas de aprendizagem particulares de cada grupo social, mediante estudo do corpo-território como base reflexiva e elementar para cada caso. Busca-se, com isto, fazer confluir experiências com atividades pedagógicas descentralizadas e não-convencionais, numa metodologia hermenêutica, mediante engajamento em ações pedagógicas emancipatórias nos diversos espaços. O conceito “corpo-território”, afinal, tem funcionado como uma chave para determinar formas sensíveis e possíveis de conectar experiências, articular conhecimentos e combater violências nos espaços das ações pedagógicas.