ADVOCACIA PÚBLICA E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

DESAFIOS PARA UMA AGENDA INSTITUCIONAL COM PERSPECTIVA INTERSECCIONAL

Autores

  • Fernanda Mainier Hack Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

ADVOCACIA PÚBLICA, VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, INTERSECCIONALIDADE, ACESSO À JUSTIÇA, POLÍTICAS PÚBLICAS

Resumo

Este trabalho investiga a atuação da Advocacia Pública no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres e meninas, com ênfase em seu papel na formulação, viabilização e sustentação jurídico-institucional das políticas públicas voltadas ao tema. Parte-se da premissa de que o enfrentamento efetivo da violência de gênero exige mais do que marcos normativos: demanda ações coordenadas, sensíveis às desigualdades interseccionais que atravessam as vidas das mulheres. A pesquisa assume como ponto de partida que mulheres negras, periféricas, com baixa escolaridade e inseridas em contextos de dependência econômica são desproporcionalmente afetadas pela violência doméstica, e que a produção normativa e institucional deve reconhecer essa realidade para não reforçar desigualdades estruturais. Nesse sentido, o objetivo é analisar de que forma a Advocacia Pública pode contribuir para a consolidação de um modelo de acesso à justiça que seja substantivo e inclusivo, apoiando políticas públicas com enfoque interseccional. A metodologia empregada é qualitativa, com base em revisão bibliográfica e da legislação nacional e internacional e análise documental, e inclui a análise da atuação institucional da Advocacia Pública, que tem promovido iniciativas voltadas à transversalização da perspectiva de gênero e raça em sua prática institucional. A hipótese inicial sustenta que, embora historicamente invisibilizada no debate sobre justiça de gênero, a Advocacia Pública possui potencial transformador ao atuar na formulação normativa e na defesa jurídica de políticas que reconheçam os múltiplos marcadores de vulnerabilidade. Por um lado, são reconhecidos avanços, como a criação de comissões temáticas, da instituição de protocolos para atuação institucional com perspectiva de gênero, e maior interlocução com redes de proteção. Contudo, persistem desafios relacionados à institucionalização dessa agenda e à superação de resistências internas que ainda concebem o direito como neutro. O estudo conclui que o fortalecimento da atuação jurídico-institucional da Advocacia Pública sob perspectiva interseccional é passo crucial para garantir o acesso à justiça das mulheres que mais sofrem com a violência e, portanto, mais necessitam do Estado como garantidor de direitos.

Biografia do Autor

Fernanda Mainier Hack, Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro

Procuradora do Estado do Rio de Janeiro e advogada. Especialista em Direitos Humanos pelo Instituto de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Assessora-Chefe da Assessoria Jurídica da Secretaria de Estado da Mulher do Estado do Rio de Janeiro. Presidente da Comissão para Promoção da Igualdade de Gênero da PGE/RJ. Membro do Fórum Nacional de Equidade e Diversidade do Colégio Nacional de Procuradores Gerais - CONPEG. Vice-presidente da Comissão de Direito Humano à Alimentação Adequada da OAB/RJ. Pós-Graduanda na Especialização em Gênero e Direito da EMERJ. Professora da Escola Superior de Advocacia Pública - PGE/RJ. Professora da Pós-Graduação Lato Sensu em Crianças, Adolescentes e Famílias do IERBB/MPRJ.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On123 - ACESSO À JUSTIÇA E RESPOSTAS JURÍDICO-INSTITUCIONAIS NO ENFRENT