EQUIDADE DE GÊNERO - UM SONHO POSSÍVEL, UMA REALIDADE DISTANTE OU UMA LUTA CONSTANTE?

A EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL VIVIDA NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO DE JANEIRO

Autores

  • Carolina Sthefany Cordeiro Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-RJ

Palavras-chave:

SERVIÇO SOCIAL, JUDICIÁRIO, EQUIDADE DE GÊNERO, DIREITOS HUMANOS

Resumo

O trabalho em tela se dispõe a trazer à tona, mesmo que brevemente, algumas questões que perpassam a equidade de gênero, sobretudo num contexto marcado pela pobreza, exclusão social e pela violação de direitos humanos. O objetivo é oportunizar uma reflexão crítica sobre os impactos da ofensiva neoliberal, que estão postos na produção e reprodução da vida, haja vista o aumento das desigualdades sociais, articuladas as desigualdades de gênero e raça, criando situações de maior vulnerabilidade, discriminação e preconceitos para grupos específicos, como por exemplo, as mulheres negras e pardas.  Na formação social brasileira, crescem as desigualdades e, na mesma medida, se registram diversas formas de violações de direitos humanos e criminalização do pobre  Neste contexto, o trabalho em apreço busca um olhar interseccional sobre a questão da equidade de gênero a partir do exercício profissional das Assistentes Sociais que atuam no Centro de Atenção e Apoio às Vítimas - CAAV e na Vara de Execuções Penais - VEPEMA do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A relevância deste trabalho está centrada na importância de uma reflexão qualificada sobre os desafios do assistente social no judiciário para uma intervenção nas múltiplas expressões da questão social de forma crítica e comprometida com o projeto ético-político da profissão. De acordo com Fávero (2011), um grande desafio para os profissionais de Serviço Social é fazer valer o trabalho neste campo como um recurso para possibilitar a viabilização e a efetivação de direitos, excluindo qualquer possibilidade do uso de um laudo ou de uma entrevista como recursos para obtenção de provas que sirvam para negação da viabilização do direito. Para a construção deste trabalho, adota-se metodologia de caráter qualitativo, tendo como ponto de partida a experiência profissional das autoras no Judiciário Brasileiro. Assim como a revisão bibliográfica, buscando diálogo entre autores que debatem a temática de forma crítica. Neste sentido, este estudo se mostra relevante, pois consiste na produção de conhecimento que contribua para pensar os dilemas e desafios que hoje atravessam a atuação do Serviço Social no Poder Judiciário, e, por conseguinte, lançar luz sobre os caminhos de afirmação de um fazer profissional consoante com os valores emancipatórios do Projeto Ético-Político crítico do Serviço Social. Nesta perspectiva, vale considerar que a construção do saber tem um ponto de partida, todavia, não apresenta possibilidades de ser esgotado. Assim, a relevância dessa proposta de pesquisa é reafirmada como um esforço necessário para contribuir nas grandes batalhas que a conjuntura atual apresenta no sentido da qualificação profissional, defesa da democracia, da liberdade e do Estado de direitos.

Biografia do Autor

Carolina Sthefany Cordeiro , Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-RJ

Graduada e Mestranda em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-RIO. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo Centro Nacional de Pesquisa CNPq durante dois anos, abordando as temáticas: Determinantes Sociais de Saúde em Debate: um estudo sobre a atuação de lideranças femininas nas favelas do Rio de Janeiro e Onde estão Nossas Marielles: O Poder Feminino nas Favelas Cariocas, ambos projetos pela Dra. Nilza Rogéria Nunes. Neste tempo de bolsista colaborou com a pesquisa e sistematização das minibiografias das mulheres, que compõe o livro Mulher de favela: experiências compartilhadas (2022), da autora Nilza Rogéria Nunes. Foi estagiária de Serviço Social no campo da Saúde Mental, realizada na ETIC Tutoria Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de janeiro. TJRI. Assistente Social Voluntário na Associação Favela Compassiva, com enfoque em cuidados paliativos domiciliares. Integrante do Grupo de Estudo em Trabalho, Serviço Social, Empresa e Saúde do Trabalhador- GETRABSS.

   

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P26 - POBREZA E DIREITOS HUMANOS: O DESAFIO DA EQUIDADE DE GÊNERO