ENTRE SABERES E SEMENTES
SUSTENTABILIDADE NA COMUNIDADE QUILOMBOLA RIO DA PRATA (PERI-MIRIM/MA)
Palavras-chave:
QUILOMBOLAS, SABERES TRADICIONAIS, SUSTENTABILIDADE, DIREITOS HUMANOSResumo
O presente resumo é oriundo do projeto de pesquisa “Cultivar para Libertar: hidroponia como caminho de autonomia das mulheres quilombolas” e tem como objeto de estudo os saberes tradicionais como práticas de sustentabilidade e preservação cultural na comunidade quilombola Rio da Prata, localizada no município de Peri-Mirim/MA, onde destacam-se práticas como o cultivo da mandioca, a criação de pequenos animais e a produção de farinha, baseando-se em uma agricultura de subsistência adaptada ao ciclo natural da região. A relevância da temática está na urgência de valorizar e integrar os conhecimentos ancestrais de comunidades tradicionais às estratégias de desenvolvimento sustentável, especialmente diante de ameaças como degradação ambiental, mudanças climáticas e perda de identidade cultural. O objetivo geral da pesquisa é analisar como os saberes tradicionais da comunidade contribuem para práticas sustentáveis no cotidiano local. Especificamente, buscou-se mapear práticas tradicionais de manejo dos recursos naturais, investigar a relação entre cultura e meio ambiente, e avaliar a percepção dos moradores quanto à preservação dos saberes e sua transmissão às futuras gerações. A metodologia adotada foi de abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica e pesquisa de campo. A coleta de dados envolveu entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários com perguntas abertas e fechadas, junto a moradores da comunidade, especialmente lideranças, agricultores e pescadores, buscando compreender as práticas ambientais locais, o uso dos recursos naturais e os desafios enfrentados. O critério de inclusão foi a experiência com práticas culturais e ambientais locais. As hipóteses iniciais indicavam que a comunidade, mesmo diante das adversidades externas, mantém práticas sustentáveis baseadas no respeito à natureza e no uso racional dos recursos. Os resultados parciais confirmam que os moradores preservam técnicas tradicionais de cultivo, como o plantio da mandioca e a produção artesanal de farinha, além do uso consciente de áreas naturais para pesca e coleta de alimentos. No entanto, também foi identificada a necessidade de políticas públicas que apoiem a valorização desses saberes e sua transmissão às novas gerações. A presença de resíduos sólidos e a ausência de programas de compostagem apontam desafios ambientais ainda não superados. A pesquisa reforça que o fortalecimento de tecnologias sustentáveis como a hidroponia pode ser uma aliada dos saberes tradicionais, promovendo a autonomia das mulheres quilombolas e a sustentabilidade das comunidades. Ressalta-se a necessidade de políticas públicas que reconheçam e fortaleçam essas práticas, promovendo ações educativas e integradas que assegurem a continuidade desses conhecimentos como parte do patrimônio imaterial brasileiro.