DOENÇA FALCIFORME E OS IMPACTOS NA VIDA SOCIAL DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE

Autores

  • Regina Maura Rezende

Palavras-chave:

DOENÇA FALSIFORME, POLÍTICAS PÚBLICAS, EXCLUSÃO SOCIAL, DIREITOS SOCIAIS

Resumo

O presente trabalho vem trazer o tema da Doença Falciforme como forma de refletir acerca da realidade social a qual vivem as pessoas que são acometidas pelo adoecimento, e como o processo de exclusão dessas pessoas se configura como insuficiência de direitos no Brasil. Assim, o objetivo é discorrer sobre os impactos sociais causados pela Doença Falciforme, seja no âmbito familiar, seja no âmbito da sociedade. Nesse sentido, como metodologia, a pesquisa possui caráter qualitativo, realizada por meio de pesquisa bibliográfica e documental, e por meio de observação participante junto a pacientes do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM, na cidade de Uberaba, no Estado de Minas Gerais, Brasil. A Doença Falciforme é o nome dado para um grupo de alterações genéticas cuja característica principal é a herança do gene que produz um tipo alterado de hemoglobina S (Hb S). Considera-se também que, com a imigração forçada dos negros escravizados, a Doença Falciforme alcançou as Américas, e hoje se encontra em toda a Europa e Ásia. No Brasil, distribui-se de forma heterogênea, devido à elevada miscigenação, sendo mais comum na população negra e seus descendentes. A Doença Falciforme faz parte de um grupo de doenças e agravos relevantes que afetam a população afrodescendente, motivo pelo qual foi instituída nas ações da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra. Como resultados parciais, destaca-se que se trata de uma área extremamente fecunda ao trabalho das ciências humanas e sociais, dada as particularidades do processo de adoecimento, pois se vincula às populações socialmente vulneráveis, de raça negra e cor preta, geralmente de baixo poder aquisitivo e escolaridade, logo, pleno de repercussões das expressões da questão social, e, de baixo alcance das políticas públicas. Destaca-se a insuficiência das políticas sociais, remetendo a população vulnerável tanto pela doença, quanto pela precarização socioeconômica, à situações de agravos decorrentes do desconhecimento social acerca dos sintomas incapacitantes, da marginalização das pessoas adoecidas por não se adequarem às convenções naturais do mundo do trabalho, da escola, e de outras instâncias em que o agravamento do quadro remete às pessoas à situações de necessários afastamentos das atividades socias e laborativas. Nesse sentido, de forma comum, as pessoas em situação de adoecimento são “rejeitadas” pelo mercado de trabalho, têm dificuldade de cumprir as rotinas na escola e na vida social, e assim, marginalizadas. Logo, o processo de exclusão se configura como outro desafio a ser enfrentado pelas pessoas já vulneráveis à doença, e reforça estigmas sociais. Ampliar a efetividade, eficácia e alcance das políticas públicas e sociais se faz urgente para que as pessoas com Doença Falciforme possam ser incluídas de forma a superar o processo de exclusão, e legitimar a presença dos direitos sociais e humanos em seus cotidianos, até então no Brasil, plenos de desafios.

Publicado

06.01.2022