MODERNIDADE, DECOLONIALIDADE, AMBIENTE E MULHERES FEIRANTES: UM OLHAR ETNOGRÁFICO SOBRE UMA FEIRA POPULAR DO SERTÃO BRASILEIRO
Palavras-chave:
Modernidade, feira popular, relações subalternas, colonialidadeResumo
Dentro da problemática discutida, aproximando as noções de modernidade, ambiente e acesso à políticas públicas às discussões no entorno dos estudos sobre colonialidade de poder e capitalismo, nesse sentido, considerado a metodologia de intervenção de campo realizada, ou seja, por meio de uma aproximação etnográfico realizada dentro do espaço e temporalidade de uma feira popular do sertão brasileiro, no contexto da análise pretendida, conseguimos observar nele a existência de uma retórica que se estende sobre as vidas de mulheres colocadas às margens de um projeto de acesso aos recursos prometidos pelo desenvolvimentismo. Dentro de tal escopo, considerando a perspectiva teórica discutida, se colocamos que parte dos sujeitos aí identificados são mulheres, condicionadas a relações subalternas, ou seja, se pela lógica opressora de uma modernidade capitalista patriarcal não foram delimitadas como ser de direto dentro do ideal capitalista moderno, ou mesmo, se ainda hoje são consideradas dispensáveis em muitos âmbitos da vida social, econômica e política, especialmente no contexto rural observado, nesse sentido, tê-las distanciadas das políticas públicas efetivas (políticas de promoção do bem estar) necessárias ao seu desenvolvimento pessoal, não será visto como um problema, isso porque o dano não será percebido quando tais consequências recaem sobre alguém que não existe como ser de direto aos possíveis benefícios prometidos pela lógica moderna e capitalista. Estas pessoas entram no plano modernizador do mundo submetidas a modelos sociopolíticos de negação e subalternização de seus corpos e vidas. Já o espaço/campo que transitam e comercializam é visto como lugar antiquado, atrasado, impróprio, ante o processo de normalização do moderno como resultado da acumulação de capital. De tal forma, distanciadas de políticas públicas efetivas, estas sobreviventes da modernidade acabam encontrando na feira popular uma alternativa ou estratégia de inserção, sociabilidade e resistência à lógica de poder operante. Nesse sentido, pensamos este local e as partícipes desta feira popular no sertão brasileiro como construtoras de um modelo de resistência a uma lógica de poder, marginalização e naturalização de práticas de subalternização.