Sentidos narrativos nas tradições da umbanda e do candomblé

diferentes artes em diferentes terreiros

Autores

  • Mariana Baruco Machado Andraus

Palavras-chave:

tradições afro-brasileiras, danças nos terreiros, arte contemporânea

Resumo

As religiões afro-brasileiras são caracterizadas pela pluralidade e diversidade de expressões artísticas: diferentes cantos (os chamados “pontos cantados”); diferentes indumentárias, que podem incluir saias em distintos modelos, batas, panos (ojas) enrolados nas cabeças ou não, guias de contas coloridas (cujas regras, em relação às cores das contas, variam muito de uma casa para outra), ou mesmo calças com jalecos; presença ou não de atabaques; presença ou não de danças. Essas variações dependem da história de cada casa, que se relaciona com os fundamentos que são seguidos e ensinados por seus praticantes, mas a expressão artística está sempre presente de alguma forma. Muitas pessoas se aproximam do candomblé ou da umbanda por identificação estética: os padrões rítmicos e melódicos dos cantos como parte dos ritos pode ser atrativo, especialmente em um país como o Brasil, em que o acesso à cultura ainda é uma dificuldade para muitos. Manifestações artísticas do candomblé e da umbanda vêm sendo estudadas há décadas e de forma consistente na área de artes cênicas e proponho, neste trabalho, reunir e apresentar trabalhos de pesquisadores que vêm seriamente estudando e pesquisando estéticas pulsantes em terreiros. A metodologia adotada será de estado da arte, isto é, uma pesquisa bibliográfica que propõe o desafio de mapear e discutir produções selecionadas; não será, no entanto, uma pesquisa “distanciada” ou teórica, tendo em vista que sou praticante de umbanda e tenho a vivência em terreiros, assim como em minha carreira de bailarina também já tive experiência em diferentes métodos e formas de trabalho em artes cênicas relacionados a manifestações de terreiros. O intuito é dar voz a saberes ancestrais e ao direito que essas comunidades têm de verem seus saberes reconhecidos, sem perder de vista que tradições se reinventam a todo momento e que é da natureza da arte não se cristalizar no tempo. Noto que essas manifestações religiosas, diferentemente de religiões instituídas ao longo de vários séculos, guardam em si essa essência que as aproxima da arte – especialmente a contemporânea – que é, justamente, de não se deixar cristalizar.

Publicado

11.01.2022