A OIT COMO AGENTE PROMOTOR DE COOPERAÇÕES NA CADEIA PRODUTIVA DO ALGODÃO VISANDO O TRABALHO DECENTE (ODS 8)

Autores

  • Cíntia de Almeida Lanzoni Pontifícia Universidade Católica do Paraná
  • Luis Alexandre Carta Winter Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR

Palavras-chave:

Desenvolvimento sustentável, ODS 8, OIT, Projeto Algodão com trabalho decente, Cooperação Sul-Sul

Resumo

A promoção do trabalho decente teve início na OIT em 1999, em decorrência da influência exercida pela Conferência do Desenvolvimento Social de 1995. A bandeira do trabalho decente foi internalizada pelo Brasil, combatendo o trabalho forçado, o trabalho infantil e o tráfico de pessoas, assim como a promoção do trabalho decente para jovens e migrantes e a igualdade de oportunidades e tratamento. Utilizando-se do método de abordagem hipotético dedutivo, busca-se utilizar as diretivas da OIT sobre o trabalho decente, para demonstrar a essencialidade das boas condições de trabalho para que se alcance o desenvolvimento na premissa de que o desenvolvimento humano depende do exercício de um trabalho decente e o desenvolvimento sustentável está vinculado ao próprio desenvolvimento humano, pelo modelo do Welfare State. A ONU emitiu, em 2015, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com uma agenda para implementação de melhorias concentradas em 17 ODS. O objetivo 8 busca o trabalho decente e crescimento econômico, por meio da promoção do crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos. A pesquisa analisa a contribuição da OIT na implementação de políticas públicas para se atingir o ODS 8. O trabalho ressalta que desde 2009 a OIT desenvolve o "Projeto Algodão com Trabalho Decente - Cooperação Sul-Sul para a Promoção do Trabalho Decente nos Países Produtores de Algodão da África e da América Latina" com a Agência Brasileira de Cooperação e o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), para promover o trabalho decente na cadeia produtiva do algodão, com ênfase nos Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho e na melhoria das condições de trabalho em cinco países produtores: Paraguai, Peru, Mali, Moçambique e Tanzânia. Ressalta a participação da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) na missão técnica realizada em fevereiro de 2020, bem como dos Ministérios da Economia e das Relações Exteriores do Brasil. Descreve a missão, realizada em Mali e Moçambique, que promoveu reuniões técnicas, capacitações aos inspetores do trabalho africanos e trocas de experiências para a promoção do trabalho decente e o combate ao trabalho infantil na produção do algodão. E demonstra que atuações cooperativas decorrem do caráter global das normativas da OIT, da preocupação com a observância dos ODS da ONU e a implementação de melhorias com a agenda 2030. Por fim ressalta que há entre os países considerados do Terceiro Mundo até a década de 1990, e que compõem a Cooperação Sul-Sul, esforços somados com os países do Sul Global na prática de intercâmbios, nos aspectos econômicos, científicos, tecnológicos, culturais ou outros que possibilitem o desenvolvimento.

Biografia do Autor

Cíntia de Almeida Lanzoni, Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Doutoranda em Direito pela PUCPR. Mestre em Direito pela PUCPR (2013), com Especialização em Direito e Processo do Trabalho pela PUCPR (2008) e Bacharel em Direito pela PUCPR (2007). Experiência de mais de 10 anos na advocacia trabalhista, tanto contenciosa quanto consultiva, integrou a equipe de grandes escritórios de Curitiba/PR. Atualmente é sócia no Lanzoni e Saad Advogados e professora em vários cursos de graduação da FAE Centro Universitário. Professora da pós-graduação de Prática em Processo Civil da FAE Business School.

Luis Alexandre Carta Winter, Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR

Possui Graduação em Direito pela Universidade Federal do Paraná (1984), Especialização em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1988), Mestrado em Integração Latino - Americana pela Universidade Federal de Santa Maria (2001) e Doutorado em Integração da América Latina pelo USP/PROLAM (2008). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná na graduação (onde foi Coordenador entre 1987 a 1989), na pós lato sensu onde coordenou a especialização em Direito, logística e negócios internacionais, e no strito sensu, no mestrado (PPGD e PPGDH) e doutorado(PPGD). Professor titular da Unicuritiba, no Curso de Relações Internacionais, na graduação e na pós, de Comércio Internacional. Ex-professor titular e ex-Coordenador "(2005-2010) do Curso de Direito da Faculdade Internacional de Curitiba. Consultor jurídico, atuando principalmente nos seguintes temas e áreas: contratos; integração regional; Mercosul; relações internacionais; direito marítimo;direitos humanos;direito humanitário; legislação aduaneira; direito internacional econômico e direito internacional.Coordenador do NEADI -Núcleo de Estudos Avançados de Direito Internacional e Desenvolvimento Sustentável (www.neadi.com.br). Membro de Centro de Letras do Paraná e do Instituto de Advogados do Paraná.

Publicado

06.01.2022