SUBJETIVIDADES COMPARTILHADAS

DA CONSTITUIÇÃO DE SI AOS DIREITOS HUMANOS, EDUCAÇÃO, ARTE E CIÊNCIA

Autores

  • Marcelo Santana dos Santos Universidade Federal do Recôncavo da Bahia / Universidade Federal da Bahia

Palavras-chave:

subjetividades compartilhada, epistemologias restaurativas, linguagem, direitos humanos, lugar de debate

Resumo

O trabalho que segue tem como objeto  a necessidade do reconhecimento das diversas formas de manifestação dos sujeitos/atores sociais na sociedade. Pretende-se demonstrar a importância de ressignificar os modos de compreensão desses sujeitos em meio a diversidade existente – e que, ao mesmo tempo, requer certo tipo de unidade para garantir o conjunto da teia social, a partir de princípios que partem do respeito à vida, conforme prevê os Direitos Humanos. A relevância social dessa proposta está intimamente ligada ao combate aos processos de exclusão social e violências geradas pelas dinâmicas de coerção social em que grupos vulneráveis estão submetidos. Ao mesmo tempo, a hipótese que guia a proposta em causa procura demonstrar a existência de agir estratégicos que diz respeito a autonomia dos indivíduos e de seus grupos – dentro dos processos de escolhas eletivas que tem a ver com as condições de existência numa lógica e sentido do permanecer. A pesquisa é propositiva e visa apresentar o conceito de subjetividades compartilhadas como chave de entendimento de fenômenos sociais diversos, por isso, a metodologia utilizada possui um caráter ensaístico, contudo, é pautada em revisão bibliográfica e histórica, bem como em fenômenos contemporâneos. Nesse sentido, e aqui adiantamos algumas das conclusões, a educação cumpre um papel fundamental nas dinâmicas que envolvem o campo de experiência em que as pessoas se relacionam e elaboram seus modos de permanecer. Partido da concepção de uma educação incorporada, que está para além de uma razão sem corpo, desdobra-se o conceito de subjetividades compartilhadas. Com isso, demonstra-se que é possível preservar e reconhecer as individualidades e suas autonomias em meio a sociedade como solvente. O corpo em sua corporeidade é a primeira instância de compartilhamento da subjetividade – o corpo é nossa âncora no mundo (Merleau-Ponty). Com efeito, é na comunicação que se tem os modos de constituição das identidades – apresentadas aqui como identidades sinestésicas, uma vez que se faz a partir da linguagem e, é o que se defende aqui, não está naturalizada em essências estanques, mas se projeta como abertura para a formulação de horizontes que se forjam a todo momento: onde é elaborada a corporeidade de conforto identitária, cujo corpo é formado numa lógica de miragem e semelhança. Nesse contexto, os campos que se constituem através da arte são fundamentais para a compreensão dessas dinâmicas: a arte se faz fazendo o artista. Posto desse modo, a arte é o um lugar fundamental do reconhecimento de alteridades – de subjetividades compartilhadas. Não só ela, mas os processos de constituição de conhecimento, em que o reconhecimento dos diversos sujeitos existentes tem requerido a reformulação dos pressupostos da própria ciência, daí a necessidade de epistemologias restaurativas – cujas relações reelaboram as distinções entre sujeito e objeto de uma ciência explicativa, ampliando para evidências de epistemologias compreensivas (de subjetividades compartilhadas). Conclui-se que arte e ciências são campos complementares e fazem parte do lugar de debate como espaço do reconhecimento das diversas subjetividades, cujos processos são mediados pela linguagem que permeia os indivíduos em suas corporeidades.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simp. On147 - O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS COMO EDUCAÇÃO CORPORAL