SUBJETIVIDADES COMPARTILHADAS
DA CONSTITUIÇÃO DE SI AOS DIREITOS HUMANOS, EDUCAÇÃO, ARTE E CIÊNCIA
Keywords:
subjetividades compartilhada, epistemologias restaurativas, linguagem, direitos humanos, lugar de debateAbstract
O trabalho que segue tem como objeto a necessidade do reconhecimento das diversas formas de manifestação dos sujeitos/atores sociais na sociedade. Pretende-se demonstrar a importância de ressignificar os modos de compreensão desses sujeitos em meio a diversidade existente – e que, ao mesmo tempo, requer certo tipo de unidade para garantir o conjunto da teia social, a partir de princípios que partem do respeito à vida, conforme prevê os Direitos Humanos. A relevância social dessa proposta está intimamente ligada ao combate aos processos de exclusão social e violências geradas pelas dinâmicas de coerção social em que grupos vulneráveis estão submetidos. Ao mesmo tempo, a hipótese que guia a proposta em causa procura demonstrar a existência de agir estratégicos que diz respeito a autonomia dos indivíduos e de seus grupos – dentro dos processos de escolhas eletivas que tem a ver com as condições de existência numa lógica e sentido do permanecer. A pesquisa é propositiva e visa apresentar o conceito de subjetividades compartilhadas como chave de entendimento de fenômenos sociais diversos, por isso, a metodologia utilizada possui um caráter ensaístico, contudo, é pautada em revisão bibliográfica e histórica, bem como em fenômenos contemporâneos. Nesse sentido, e aqui adiantamos algumas das conclusões, a educação cumpre um papel fundamental nas dinâmicas que envolvem o campo de experiência em que as pessoas se relacionam e elaboram seus modos de permanecer. Partido da concepção de uma educação incorporada, que está para além de uma razão sem corpo, desdobra-se o conceito de subjetividades compartilhadas. Com isso, demonstra-se que é possível preservar e reconhecer as individualidades e suas autonomias em meio a sociedade como solvente. O corpo em sua corporeidade é a primeira instância de compartilhamento da subjetividade – o corpo é nossa âncora no mundo (Merleau-Ponty). Com efeito, é na comunicação que se tem os modos de constituição das identidades – apresentadas aqui como identidades sinestésicas, uma vez que se faz a partir da linguagem e, é o que se defende aqui, não está naturalizada em essências estanques, mas se projeta como abertura para a formulação de horizontes que se forjam a todo momento: onde é elaborada a corporeidade de conforto identitária, cujo corpo é formado numa lógica de miragem e semelhança. Nesse contexto, os campos que se constituem através da arte são fundamentais para a compreensão dessas dinâmicas: a arte se faz fazendo o artista. Posto desse modo, a arte é o um lugar fundamental do reconhecimento de alteridades – de subjetividades compartilhadas. Não só ela, mas os processos de constituição de conhecimento, em que o reconhecimento dos diversos sujeitos existentes tem requerido a reformulação dos pressupostos da própria ciência, daí a necessidade de epistemologias restaurativas – cujas relações reelaboram as distinções entre sujeito e objeto de uma ciência explicativa, ampliando para evidências de epistemologias compreensivas (de subjetividades compartilhadas). Conclui-se que arte e ciências são campos complementares e fazem parte do lugar de debate como espaço do reconhecimento das diversas subjetividades, cujos processos são mediados pela linguagem que permeia os indivíduos em suas corporeidades.