EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE
INTERVENÇÕES PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA FORMAÇÃO DE SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E DA CONSCIÊNCIA DE RESPONSABILIDADE GLOBAL
Palavras-chave:
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA; DIREITOS HUMANOS; EDUCAÇÃO AMBIENTAL; SUSTENTABILIDADE; RESPONSABILIDADE SOCIAL.Resumo
Desde os registros da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em Paris (1948) até o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global – elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) –, diversos encontros de caráter internacional buscaram estabelecer as definições, os objetivos, os princípios e as estratégias para a Educação Ambiental. De todos os documentos é possível colher a conclusão de que as intervenções educativas não podem ignorar o fato de que qualquer interação ou prática está fadada ao insucesso se não fomentar relações entre ética e sustentabilidade, compreensão de identidades culturais distintas e diversidades locais, mobilização, participação e cooperação, interdisciplinaridade e reconhecimento de direitos humanos. Retira-se daí a conclusão de que o cultivo conjunto de uma consciência coletiva, como objetivo da educação ambiental, reflete um processo político dinâmico, em permanente construção, orientado por valores baseados na transformação social. Fundado nessas constatações é que o presente estudo pretende apresentar técnicas concretas de educação ambiental capazes de ser implementadas via extensão universitária. A ideia de conceber educandos formando educadores, em movimento contínuo e democrático de saberes em intercâmbio, permite abrir portas para formação de um pensamento crítico, coletivo e solidário, de interdisciplinaridade, multiplicidade e diversidade. Em contato com as comunidades contíguas ou distantes, a mutualidade qualifica significativamente com valores humanos e compromissa com a realidade os futuros egressos do ensino superior, ao mesmo passo em que envolve educandos do ensino fundamental e básico e comunidades locais em processos participativos voltados para a recuperação, conservação e melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida, graças a experiências oportunizadas por projetos de baixo custo e grande impacto. Partindo do know-how dos autores no ambiente do denominado “Projeto Rondon” (experiência de extensão em comunidades carentes brasileiras), o presente trabalho tem como objeto de estudo diferentes técnicas e recursos de educação ambiental passíveis de serem executadas via extensão universitária, analisando seus impactos, limites e possibilidades. A ideia é demonstrar como pequenas atividades podem produzir verdadeiras mudanças de perspectiva individual e coletiva, podendo ser executadas com poucos recursos materiais por alunos do ensino superior dos mais variados matizes institucionais e profissionais. A relevância temática se justifica pela urgência de promoção de práticas sociais conscientes em um ambiente dominado pela degradação permanente do meio ambiente e da dignidade humana. Não é possível construir sentidos sobre a educação e a consciência ambiental sem o envolvimento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a integração comunitária numa perspectiva interdisciplinar. A educação ambiental, nesse sentido, apresenta-se como ato político voltado para a transformação social e intimamente ligado a ideia de esgotabilidade dos recursos naturais e dos direitos humanos como compromisso inclusive intergeracional. Adota-se como método de abordagem o qualitativo, fundado em critério hipotético-dedutivo e dialético, com apoio em métodos de procedimento histórico, comparativo, monográfico e estruturalista. Os resultados parciais obtidos até então apontam para o benefício concreto promovido pelas técnicas, reconhecendo a possibilidade de compatibilizá-las com diferentes realidades sócio-econômico-culturais.