OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER
EDUCAÇÃO DO CAMPO E O DIREITO DE APRENDER
Palavras-chave:
Educação do Campo Movimento doa Trabalhadores Rurais Sem Terra Estado Agronegócio.Resumo
O presente artigo tem por objetivo analisar alguns desafios impostos à construção de uma política de Educação do Campo no estado de São Paulo/Brasil, política essa capaz de assegurar o direito humano à educação de crianças, jovens e adultos do campo. Por ser o principal produtor brasileiro de cana-de-açúcar, o estado de São Paulo foi responsável por 53,7% da produção nacional na safra 2019/2020, chegando a quase 50% de toda a produção de etanol e mais de 60% de todo açúcar produzido neste período. É o estado que concentra 42,29% do total de usinas, ou seja, possui as principais unidades de produção de açúcar e álcool distribuídos no país. Nesse contexto, faz-se necessária a compreensão dos processos históricos e políticos que configuram o desenvolvimento capitalista do campo brasileiro e a centralidade do Estado para assegurar um determinado modelo e uma estrutura produtiva e de poder que asseguram até os dias de hoje a concentração fundiária no campo e a expulsão de trabalhadores e trabalhadoras. Essa estrutura econômica, baseada na concentração de terras e de poder, promoveu o êxodo rural e mantém a reprodução histórica das desigualdades sociais no país, em favor da hegemonia do agronegócio, que, financiado por grandes empresas internacionais, controla todo processo de produção, beneficiamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas no país. Político e ideologicamente, o agronegócio alimenta a ideia de um campo sem gente no imaginário social, e, nacionalmente atua para obliterar as políticas públicas que visam assegurar aos sujeitos do campo o direito de viver e permanecer no campo. O direito à educação, nesse contexto, deixa de ser reconhecido como um direito fundamental dos sujeitos do campo e, como consequência, tem ocorrido o fechamento de escolas do campo e a precarização daquelas que restaram. Contudo, salientamos que a Educação do Campo no estado de São Paulo resulta de um intenso processo de lutas realizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a partir da conquista de territórios para reforma agrária, da construção de escolas nas áreas, bem como do estabelecimento de uma pedagogia do movimento condizente com os fundamentos e princípios da Educação do Campo. Nosso objetivo é analisar os caminhos e desafios colocados para a construção da Educação do Campo no estado de São Paulo, utilizando como metodologia principal entrevistas com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e com profissionais da educação que atuam nas escolas do campo, com base na revisão bibliográfica sobre o tema proposto. Nossa hipótese é que a luta e a organização popular são fatores essenciais para a conquista e assegurar direitos.