LIDERANÇA FEMININA, RISCOS PSICOSSOCIAIS E EMPREENDEDORISMO CÍVICO NO CONTEXTO DO TRABALHO CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
LIDERANÇA FEMININA, RISCOS PSICOSSOCIAIS, EQUIDADE DE GÊNERO, EMPREENDEDORISMO CÍVICO, DIREITOS HUMANOS NO TRABALHOResumo
A inserção e ascensão de mulheres em posições de liderança representa não apenas uma conquista individual, mas um deslocamento simbólico nos modos tradicionais de organização do trabalho. Ainda assim, essa trajetória rumo à liderança é atravessada por riscos psicossociais relacionados à divisão sociossexual do trabalho, que insiste em moldar às expectativas, à sobrecarga de responsabilidades que recai sobre as mulheres, e as suas múltiplas jornadas de trabalho. Esta pesquisa tem como objeto a análise das experiências de mulheres em posições de liderança no contexto do trabalho contemporâneo, com especial atenção àquelas engajadas em práticas de empreendedorismo cívico — entendido como a atuação transformadora voltada ao bem comum e à promoção da justiça social. A relevância da pesquisa está na necessidade de compreender os impactos subjetivos e institucionais desses riscos, em um cenário de desigualdades persistentes que afetam a saúde mental e a permanência das mulheres nos espaços de liderança. O objetivo central é investigar como essas lideranças constroem formas alternativas de existir, cuidar e decidir em contextos laborais marcados por tensões estruturais de gênero. A metodologia utilizada combina revisão bibliográfica interdisciplinar — com ênfase em estudos feministas, do trabalho e da saúde mental — com análise documental da legislação vigente, notadamente a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que inclui a avaliação e o controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Parte-se da hipótese de que a valorização de lideranças femininas comprometidas com valores éticos, justiça social e responsabilidade coletiva constitui uma estratégia potente para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, equitativos e promotores de saúde. Como resultados parciais, identificam-se tensões comuns a essas trajetórias, como o isolamento, a deslegitimação simbólica e a sobrecarga emocional, frequentemente associadas ao acúmulo de expectativas de terceiros diante de sua atuação e à ausência de redes de apoio. Em contrapartida, também emergem práticas de inovação institucional, cuidado coletivo e fortalecimento de vínculos comunitários. Conclui-se que o enfrentamento dos riscos psicossociais exige políticas organizacionais integradas que reconheçam a diversidade de estilos de liderança e articulem ações voltadas à saúde mental, à equidade de gênero e à promoção dos direitos humanos no trabalho.