LIDERANÇA FEMININA, RISCOS PSICOSSOCIAIS E EMPREENDEDORISMO CÍVICO NO CONTEXTO DO TRABALHO CONTEMPORÂNEO

Autores

  • Liz Roriz Universidade de Brasília

Palavras-chave:

LIDERANÇA FEMININA, RISCOS PSICOSSOCIAIS, EQUIDADE DE GÊNERO, EMPREENDEDORISMO CÍVICO, DIREITOS HUMANOS NO TRABALHO

Resumo

A inserção e ascensão de mulheres em posições de liderança representa não apenas uma conquista individual, mas um deslocamento simbólico nos modos tradicionais de organização do trabalho. Ainda assim, essa trajetória rumo à liderança é atravessada por riscos psicossociais relacionados à divisão sociossexual do trabalho, que insiste em moldar às expectativas, à sobrecarga de responsabilidades que recai sobre as mulheres, e as suas múltiplas jornadas de trabalho. Esta pesquisa tem como objeto a análise das experiências de mulheres em posições de liderança no contexto do trabalho contemporâneo, com especial atenção àquelas engajadas em práticas de empreendedorismo cívico — entendido como a atuação transformadora voltada ao bem comum e à promoção da justiça social. A relevância da pesquisa está na necessidade de compreender os impactos subjetivos e institucionais desses riscos, em um cenário de desigualdades persistentes que afetam a saúde mental e a permanência das mulheres nos espaços de liderança. O objetivo central é investigar como essas lideranças constroem formas alternativas de existir, cuidar e decidir em contextos laborais marcados por tensões estruturais de gênero. A metodologia utilizada combina revisão bibliográfica interdisciplinar — com ênfase em estudos feministas, do trabalho e da saúde mental — com análise documental da legislação vigente, notadamente a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que inclui a avaliação e o controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Parte-se da hipótese de que a valorização de lideranças femininas comprometidas com valores éticos, justiça social e responsabilidade coletiva constitui uma estratégia potente para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, equitativos e promotores de saúde. Como resultados parciais, identificam-se tensões comuns a essas trajetórias, como o isolamento, a deslegitimação simbólica e a sobrecarga emocional, frequentemente associadas ao acúmulo de expectativas de terceiros diante de sua atuação e à ausência de redes de apoio. Em contrapartida, também emergem práticas de inovação institucional, cuidado coletivo e fortalecimento de vínculos comunitários. Conclui-se que o enfrentamento dos riscos psicossociais exige políticas organizacionais integradas que reconheçam a diversidade de estilos de liderança e articulem ações voltadas à saúde mental, à equidade de gênero e à promoção dos direitos humanos no trabalho.

Biografia do Autor

Liz Roriz, Universidade de Brasília

Psicóloga e Bacharela em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB). Integrante do Grupo de Estudos em Psicodinâmica do Trabalho Feminino (Psitrafem), sob orientação da professora Carla Antloga. Pesquisadora em Qualidade de Vida no Trabalho e Trabalho Feminino. 

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On131 - TRABALHO FEMININO E DIREITOS HUMANOS