SAÚDE MENTAL E A LIDERANÇA FEMININA COM DEFICIÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO

O PAPEL DAS REDES INCLUSIVAS NO ENFRENTAMENTO DE BARREIRAS ATITUDINAIS

Autores

  • Maristela de Carvalho Escola Nacional de Administração Pública
  • Carla Antloga Universidade de Brasília

Palavras-chave:

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, GÊNERO, DEFICIÊNCIA, DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇAS, PRECONCEITO

Resumo

Este estudo tem como objeto a análise da potencialidade das redes de liderança no serviço público como estratégias para a prevenção do adoecimento psíquico e o fomento à acessibilidade e inclusão, especialmente para lideranças de mulheres com deficiência. A análise centra-se no enfrentamento de barreiras atitudinais que dificultam a ascenção e consolidação dessas lideranças, em contraposição às lógicas organizacionais que, ao invisibilizá-las, perpetuam dinâmicas de violência e discriminação. A relevância da pesquisa está na necessidade de compreender como essas barreiras estruturais impactam a saúde mental e limitam a plena participação dessas lideranças no ambiente público.

Nesse cenário, o Programa LideraGOV (MGI/Enap) emerge como objeto privilegiado de análise, com ações como a reserva de vagas para pessoas com deficiência (PcD), implementada em sua quinta edição, e o fomento proativo à participação de PcD. Tais medidas atuam como contraponto ao sofrimento psíquico gerado no ambiente de trabalho no serviço público, cultivando um sentido de pertencimento essencial à inclusão. A Rede de líderes formada a partir do LideraGOV, onde a colaboração e o suporte mútuo são premissas fundamentais, configura-se como um espaço de permanente desenvolvimento de competências essenciais para as lideranças no setor público. A diversidade e a inclusão são pilares da governança do Programa e dos membros da Rede.

O estudo tem como objetivo investigar a dinâmica dessas redes na mitigação de riscos psicossociais, como o assédio, e na construção de um ambiente de bem-estar e segurança psicológica. O compromisso do LideraGOV com a diversidade — com especial atenção à interseccionalidade entre gênero e deficiência — transcende a mera acessibilidade formal, configurando-se como um compromisso ético-político voltado à desconstrução de estigmas, à promoção da dignidade e à garantia da plena participação das lideranças femininas com deficiência.

Por meio de uma metodologia qualitativa, alicerçada em depoimentos e observação participante, o trabalho evidencia o potencial do empreendedorismo cívico dessas redes como força disruptiva, catalisadora de inovação e de políticas públicas mais justas e efetivamente inclusivas. Parte-se da hipótese inicial de que o fortalecimento e o engajamento nessas redes contribuem significativamente para a redução dos riscos psicossociais e para a promoção da saúde mental dessas lideranças. Como resultados parciais, observa-se que a dimensão emancipadora de redes como a do LideraGOV é fundamental para a efetivação dos direitos humanos no âmbito da gestão pública, além de atuar como catalisadora de inovação e justiça nas políticas públicas.

Biografia do Autor

Maristela de Carvalho, Escola Nacional de Administração Pública

Engenheira eletricista formada pela Universidade Federal de Itajubá, com MBA em Gestão Estratégica pela Universidade de São Paulo (USP), possui mais de 20 anos de experiência profissional, com atuação tanto no setor privado — nas áreas de automação industrial e negócios — quanto no serviço público, com foco em políticas públicas e cooperação internacional. Atualmente, coordena o programa LideraGOV na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), voltado à formação de lideranças no setor público. Sua trajetória no serviço público inclui cargos como Assessora Especial para Assuntos Internacionais no Ministério da Educação e Analista Técnica de Políticas Sociais em diversos órgãos governamentais.

Carla Antloga, Universidade de Brasília

Psicóloga, Pós-Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, com estágio técnico no Conservatoire d'Arts et Métiers, Paris. Doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, com ênfase em Qualidade de Vida no Trabalho (PSTO-UnB). Professora Associada do Departamento de Psicologia Clínica (PCL) e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (PPG-PsiCC). Coordenadora do Grupo de Estudos em Psicodinâmica do Trabalho Feminino - Psitrafem. Coordenadora do Núcleo de Engajamento, Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho - NESQ. Mãe de dois filhos.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simp´ósio On118 - DIREITOS HUMANOS, ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO