SAÚDE MENTAL E A LIDERANÇA FEMININA COM DEFICIÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO
O PAPEL DAS REDES INCLUSIVAS NO ENFRENTAMENTO DE BARREIRAS ATITUDINAIS
Keywords:
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, GÊNERO, DEFICIÊNCIA, DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇAS, PRECONCEITOAbstract
Este estudo tem como objeto a análise da potencialidade das redes de liderança no serviço público como estratégias para a prevenção do adoecimento psíquico e o fomento à acessibilidade e inclusão, especialmente para lideranças de mulheres com deficiência. A análise centra-se no enfrentamento de barreiras atitudinais que dificultam a ascenção e consolidação dessas lideranças, em contraposição às lógicas organizacionais que, ao invisibilizá-las, perpetuam dinâmicas de violência e discriminação. A relevância da pesquisa está na necessidade de compreender como essas barreiras estruturais impactam a saúde mental e limitam a plena participação dessas lideranças no ambiente público.
Nesse cenário, o Programa LideraGOV (MGI/Enap) emerge como objeto privilegiado de análise, com ações como a reserva de vagas para pessoas com deficiência (PcD), implementada em sua quinta edição, e o fomento proativo à participação de PcD. Tais medidas atuam como contraponto ao sofrimento psíquico gerado no ambiente de trabalho no serviço público, cultivando um sentido de pertencimento essencial à inclusão. A Rede de líderes formada a partir do LideraGOV, onde a colaboração e o suporte mútuo são premissas fundamentais, configura-se como um espaço de permanente desenvolvimento de competências essenciais para as lideranças no setor público. A diversidade e a inclusão são pilares da governança do Programa e dos membros da Rede.
O estudo tem como objetivo investigar a dinâmica dessas redes na mitigação de riscos psicossociais, como o assédio, e na construção de um ambiente de bem-estar e segurança psicológica. O compromisso do LideraGOV com a diversidade — com especial atenção à interseccionalidade entre gênero e deficiência — transcende a mera acessibilidade formal, configurando-se como um compromisso ético-político voltado à desconstrução de estigmas, à promoção da dignidade e à garantia da plena participação das lideranças femininas com deficiência.
Por meio de uma metodologia qualitativa, alicerçada em depoimentos e observação participante, o trabalho evidencia o potencial do empreendedorismo cívico dessas redes como força disruptiva, catalisadora de inovação e de políticas públicas mais justas e efetivamente inclusivas. Parte-se da hipótese inicial de que o fortalecimento e o engajamento nessas redes contribuem significativamente para a redução dos riscos psicossociais e para a promoção da saúde mental dessas lideranças. Como resultados parciais, observa-se que a dimensão emancipadora de redes como a do LideraGOV é fundamental para a efetivação dos direitos humanos no âmbito da gestão pública, além de atuar como catalisadora de inovação e justiça nas políticas públicas.