A INFORMAÇÃO VEICULADA NAS REDES SOCIAIS E A URGÊNCIA DE TRANSFORMAR ESSES ESPAÇOS EM FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO DE PARIDADE DE GÊNERO NA ERA DIGITAL

Autores

  • Denise Almeida de Andrade

Palavras-chave:

Informação, redes sociais, paridade de genero, era digital

Resumo

Apesar de estarmos na segunda década do século XXI, remanescem comportamentos e práticas característicos de um sistema patriarcal estabelecido no Brasil desde a colonização, que defendem e promovem uma divisão de atributos e funções específicos para homens e mulheres.  Partindo-se dessa dicotomia, atribui-se maior valor ao que foi designado como masculino, e, por consequência, minora-se a relevância do que está reservado para a mulher. Referida discriminação de gênero contra a mulher tem várias faces e se manifesta, v. g., no recebimento de salários mais baixos (no desempenho de atividades iguais) e na ocupação de cargos de menor prestígio social (apesar de um maior grau de instrução), bem como na maneira como as informações são organizadas e veiculadas, seja na imprensa tradicional seja por meio das diversas redes sociais existentes na denominada era digital. Percebemos que os avanços tecnológicos, especialmente, os incrementos relacionados à internet podem contribuir para a superação das desigualdades entre homens e mulheres, e têm o mesmo potencial para se firmarem como fator de recrudescimento dessas desigualdades. Sabemos que as Revoluções Industriais – demarcadas pelo surgimento da máquina a vapor, da energia elétrica e da internet – são momentos de ruptura de todas as relações estabelecidas entra as pessoas – familiares, sociais, econômicas, institucionais etc. – e nesta medida, oportunidades de ressignificação dos parâmetros a partir dos quais foram forjadas ditas relações; todavia, no Brasil, temos testemunhado a utilização de espaços típicos da era digital, como as redes sociais, os quais poderiam ser uados para ampliar o número de interlocutores e amplificar o alcance de pleitos de interesse para a coletividade, para, de forma não mediada e sem regramentos básicos - como aferição prévia da veracidade dos fatos veiculados, respeito ao limite de uso da imagem das pessoas, não incitação ao ódio e à intolerância etc. – reforçar estereótipos que objetificam as mulheres, reiterar jargões e expressões misóginas e preconceituosas e estimular discursos não científicos. Desta forma, entendemos ser um desafio garantir à sociedade brasileira, informação que respeite os ditames constitucionais de igualdade material entre homens e mulheres e confira visibilidade a uma matriz de relações sociais e institucionais não heteronormativa, o qual demanda a atenção imediata do maior número de atores a fim de que a conhecida era digital possa ser, em um futuro próximo, um período em que a paridade de gênero, de fato, foi uma realidade.

Publicado

06.01.2022