A (RE) EXISTÊNCIA E RESISTÊNCIA DOS SABERES ANCESTRAIS

DISRUPÇÃO DE UM PASSADO PRESENTE

Autores

  • Resigno Barros Lima Neto Universidade Federal de Goiás

Palavras-chave:

Filologia Jurídica, Cosmovisão, Saberes Ancestrais, Análise do Discurso

Resumo

Essa pesquisa tem como escopo trazer elementos suficientes para a reflexão acerca da transliteração dos instrumentos utilizados pelo colonizador, e em decorrência, por aqueles que usurparam as forças representativas do poder, através da forma impositiva de uma narrativa linear, imposta por contínuos processos/ projetos de (re)colonização, que tem como um dos objetivos centrais subjugar os saberes ancestrais, e em caso de insucesso, aniquilar tais saberes. Distanciando todo estudo filológico da construção de uma identidade nacional através de uma narrativa que valoriza a cosmovisão dos povos autóctones e tradicionais dentro de uma perspectiva, de não só, reconhecimento de uma composição plurinacional, mas das possibilidades de construção de uma voz uníssona. A pesquisa se traduz na busca alusiva dos estudos da semiótica e construção narratológica das sociedades autóctones e tradicionais que (re)existem/ resistem ao aniquilamento dado pela transfiguração do caráter filológico constitutivos dos signos linguísticos que compõe a compreensão das possibilidades diversas de (re)existência, resistência e compreensão da cosmovisão. Através desses elementos buscamos evidenciar os imbróglios jurídicos que ora são utilizados para obstaculizar ao acesso de direitos garantidos, ao produzirem ruídos na narrativa constitutiva dos signos linguísticos, podendo ser traduzidos inicialmente como violências, e ora busca invisibilizar, aniquilar a construção e constituição dos elementos históricos, culturais, políticos, religiosos, ideológicos dentro da perspectiva plural constitutiva da(s) identidade(s) nacional/nacionais, traduzido como apagamento(s) étnico(s). Para além das limitações dos registros escritos que serão utilizados como fontes de pesquisa para transliteração das oralidades e outras linguagens, objetivamos observar o uso de ferramentas que são usadas para delimitar a compreensão da pluralidade dentre a perspectiva identitária(s) e construções da(s) memória(s) coletiva(s). Quanto ao método, partimos da propositura crítica do direito, sendo a pesquisa de caráter qualitativo e inserida na linha crítico metodológica, através da revisão bibliográfica e análise do(s) discurso(s). As hipóteses iniciais para além das que já foram evidenciadas, podem ser compreendidas na relação entre as leis e os direitos individuais, em que um dos conceitos chaves é a personalidade jurídica, aptidão que toda pessoa tem de adquirir direitos e deveres, ao que surge os enfrentamentos iniciais quando esses direitos são suprimidos. Outra hipótese está no enfrentamento dessa própria destituição da compreensão dos saberes ancestrais quando é imposta a negativa da (re)existência, resistência coletiva frente ao aniquilamento individual, a destituição dos atos existenciais. Ao que tudo indica tendo como objetivo(s) projetar o(s) desvirtuamento(s) perceptíveis na conduta humana e na sua transposição para as estruturas burocráticas que compõe o Estado tendo como intenção encobrir sua culpabilidade ao apoiar e ser cúmplice da arquitetura do genocídio do povo brasiliano, ao que fica nítido e perceptível nos dias atuais a busca em desestabilizar a(s) perspectiva(s) visionária(s) através da falácia do progresso. Ao qual com a narrativa linear, ao não se preocupar com o passado, provoca a insensibilidade para as mazelas sociais, dada pela naturalização das violências e o desvirtuamento das compreensões de mundo, dentro da perspectiva da cosmovisão em que o passado nunca deixou de ser reivindicado e a ausência de sua retomada provoca a ausência de sentido.

Publicado

06.01.2022