A POTÊNCIA DOS AFETOS E A CONQUISTA DA QUALIDADE SOCIAL COMO DIREITO À FORMAÇÃO HUMANA PLENA

Autores

  • Adriano Rolindo SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE CAMPINAS

Palavras-chave:

Qualidade social

Resumo

O objetivo desta apresentação é compartilhar os resultados da pesquisa de doutorado “ Os afetos que movem o coletivo: o trabalho da diretora de escola na construção da qualidade social”, que  objetivou descrever e analisar o trabalho de uma diretora de escola pública, que afeta e gera desdobramentos na comunidade escolar, promovendo o movimento de aproximação do coletivo com a construção de uma escola de qualidade social – conceito que diz respeito a uma qualidade que garanta a formação humana na sua integralidade e não a qualidade mercantilizada que predefine a formação do aluno apenas como trabalhador/consumidor, sem que lhe sejam garantidos os direitos humanos básicos e uma formação intelectual, cultural e moral transformadora. No contexto contemporâneo de recuo dos direitos à educação e supressão das conquistas sociais, é importante que a educação seja entendida através de sua radicalidade ética, como direito aos direitos humanos, é necessário conquistar uma qualidade da educação que não inferiorize e nem deforme o viver humano, é preciso assumir uma defesa ética-política-pedagógica do direito à formação humana plena (Arroyo). Neste trabalho, discutem-se, sob o ponto de vista da filosofia espinosana, as relações afetivas na comunidade escolar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em educação, um estudo de caso com inspiração etnográfica que tem, como fonte de dados os registros de observações de campo que narram as práticas da direção escolar. O arcabouço teórico está apoiado no materialismo histórico dialético (Marx, Engels, Gramsci); assume-se que as condições materiais concretas da escola e o contexto histórico daquela comunidade, além das contradições vivenciadas pelo coletivo, são determinantes da situação de precarização do trabalho escolar, que está submetido às políticas neoliberais que marcam o modo de produção capitalista. Para discutir a tentativa de manipulação das subjetividades dos trabalhadores na Nova Gestão Pública, recorre-se ao debate sobre a organização do trabalho (Linhart, Heloani, Piolli e Venco). A pesquisa apoia-se na psicologia do desenvolvimento, sob a ótica da abordagem histórico-cultural (Vigotski, Smolka, Toassa e Sawaia); o constructo vigotskiano da relação sujeito-mediador-objeto, combinado com a teoria dos afetos espinosana (Espinosa, Damásio, Deleuze, Chauí) é o pressuposto fundante desta pesquisa: o tipo de relação que os sujeitos da comunidade vão desenvolver com a conquista da qualidade social da escola é também de natureza afetiva e depende da história de mediação desse coletivo com a escola. (Leite, Tassoni).  A tese apresenta a diretora como uma das possíveis mediadoras dessa relação sujeito/comunidade escolar e objeto/qualidade social. O conceito de qualidade social (Sordi, Freitas, Varani e Vaz Mendes) é utilizado como referência para discutir a potência dos afetos, sob a perspectiva da ética espinosana, na conquista de uma qualidade contra-regulatória. Por fim, utiliza-se o conceito de identidade (Ciampa, Dubar e Stanislaviski) que visa explicar como a diretora constitui-se como tal. Através da análise dos dados, foram organizados núcleos e subnúcleos de significação que representam as formas como a diretora afeta a comunidade e os desdobramentos desses afetos, que promovem o movimento de aproximação e engajamento do coletivo, na tentativa de construção da escola de qualidade social.

Publicado

06.01.2022