A VULNERABILIDADE SOCIAL DA MULHER NO BRASIL

UM RECORTE DE GÊNERO E RAÇA

Autores

  • Luma Soares Sabbadini Martins Ferreira Universidade Ceuma
  • Thayara Silva Castelo Branco

Palavras-chave:

Racismo, Negros, Preconceito, Discriminação, Feminicídio

Resumo

A pesquisa tem como escopo as mulheres brasileiras, visto que elas vivem em situação de extrema vulnerabilidade social em decorrência de uma possível seletividade de gênero e raça no país. Assim, entende-se que a temática possui grande relevância social, uma vez que busca analisar e explicitar as possíveis dificuldades das mulheres, principalmente negras, e os preconceitos que sofrem em diversas esferas da sociedade. Realizou-se uma revisão bibliográfica com base em artigos e livros, além de sites governamentais ou de entidades que apresentaram o conteúdo de interesse. Constatou-se que, desde o descobrimento do Brasil e sua colonização, as mulheres sempre foram vistas de forma inferior em relação aos homens, pois eram consideradas apenas como objeto de domínio e submissão por não terem nenhuma função na sociedade além da reprodução. Entretanto, apesar das mulheres em geral serem inferiorizadas, as “não brancas” eram ainda mais hostilizadas pelos europeus colonizadores, devido à escravidão. Após a abolição da escravatura, as mulheres negras e ex-escravas, que passaram a habitar cortiços e morros, não tiveram grandes oportunidades de empregos e estudos, se comparadas com homens e mulheres brancas. Na contemporaneidade, o contexto social supracitado perpetua-se. Por isso, consequentemente, as mulheres negras, ainda hoje, fazem parte do grupo da população que mais se encontra em situação de pobreza ou de extrema pobreza, em razão do racismo histórico e estrutural. Todas estas questões históricas influenciam para que a população negra tenha um atraso de 10 anos no Índice de Desenvolvimento Humano em relação à branca. Além disso, as mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio. Estas mulheres perfazem a maior parte da população que não está inserida no contexto da educação formal e do mercado de trabalho. Quando conseguem uma ocupação remunerada, a maioria preenche cargos pouco valorizados, com baixa remuneração e vínculos precários. Ressalta-se que a renda de pessoas brancas exercendo as mesmas funções que as negras pode ser duas vezes maior. Assim, repetidamente, estes dados reforçam a extrema vulnerabilidade dos negros no Brasil. Portanto, é necessária a implementação de políticas públicas eficazes para combater o racismo estrutural ao qual a população negra é submetida, ampliando, assim, a presença de negros, sobretudo mulheres, em todas as esferas da sociedade. Também são necessárias garantias que mitiguem a discriminação, o preconceito e, principalmente, a mortalidade.

Publicado

06.01.2022