DAR VISIBILIDADE AOS INVISÍVEIS
O MITO IDEOLÓGICO DA UNIVERSIDADE PÚBLICA “INCLUSIVA” NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID-19 NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-77Palavras-chave:
Universidade Pública, Educação e Direitos Humanos, Ideologia NeoliberalResumo
A presente reflexão teórica tem como objetivo realizar um estudo bibliográfico acerca do mito ideológico da universidade inclusiva reafirmada pelo projeto neoliberal e pelos grandes oligopólios privados da educação superior, e que desafiam as bases para a construção de uma educação para os direitos humanos, laica, socialmente referenciada, universal e de respeito à diversidade, ao pluralismo e a transformação da sociedade. Diante do quadro de crise econômica, política, social, ambiental e sanitária acentuada pela Covid-19 no Brasil, o processo educativo não pode ser reduzido a uma mera apreensão de conhecimentos mediados por relações de competitividade e produtividade na ordem do capital financeiro. Os desafios para a promoção da educação inclusiva e do seu papel ético-político no exercício da cidadania precisam considerar os crescentes níveis de desigualdade no desenvolvimento econômico e social das comunidades mais pobres e que refletem diretamente sobre as condições de acesso e permanência ao ensino superior público. Ancorado ao referencial crítico, as análises do presente estudo serão fundamentadas a partir do aporte teórico de intelectuais que contribuem para desvelar os ataques frontais dos projetos privatistas em curso sobre a realidade brasileira contemporânea, responsáveis por provocar graves consequências sobre os grupos historicamente marginalizados. Nesse sentido, além de analisar as condições objetivas de permanência das classes populares urbanas nos espaços das universidades públicas, torna-se imprescindível pensar de que maneira tais determinações contraditórias atingiram e ainda atingem as condições subjetivas de vida destes/as estudantes e das suas famílias, haja vista o consequente aumento dos índices de evasão escolar intensificadas pelas crises de ansiedade e depressão, e que ameaçam a manutenção da saúde mental e do bem-estar social. A partir da intersecção entre as categorias classe social, raça/etnia, gênero e sexualidade, é notório que o direito à educação passou a conferir maior visibilidade a um perfil estudantil composto por uma elite intelectual predominante em oposição a uma grande maioria formada pela classe trabalhadora, e que cujo sistema capitalista deseja tornar cada vez mais invisível. Todas as reflexões aqui propostas contribuem para desvelar o manto ideológico e perverso dos projetos privatistas, cujos protagonistas são constituídos pelo Estado da morte e pela necropolítica, ao colocar a economia do mercado e a sua eficácia acima de vidas humanas, e por construir um modelo educacional tecnicista e voltado para o investimento no próprio capital humano, isto é, nas habilidades e competências individuais, sobretudo de estudantes das periferias urbanas que, em sua maioria, estão submetidos/as a condições precárias de trabalho diante de uma estrutura social preconceituosa, desumana, classista, racista, machista e LGBTfóbica. Ademais, nos deparamos com uma longa jornada de luta articulada com as comunidades acadêmicas e com os movimentos sociais para a defesa da educação enquanto direito humano e social no exercício da cidadania. É preciso seguir de mãos dadas e resistir coletivamente contra as ameaças do poder de persuasão da ideologia neoliberal que desafia a construção de uma educação mais inclusiva e diversificada socio-étnico-culturalmente.