A VIRTUALIZAÇÃO DOS AMBIENTES DE LAZER

AS NOVAS TECNOLOGIAS DE SOCIALIZAÇÃO COMO (IM)POSSIBILIDADE DE CRIAÇÃO DE LAÇOS SOCIAIS FUNDAMENTAIS PARA A VIDA URBANA E A EFETIVIDADE DO DIREITO À CIDADE

Authors

  • Mateus Vergo Gimenez Faculdades Integradas de Bauru (FIB)

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-173

Keywords:

Direito à Cidade, Lazer, Cidades Virtuais, Agenda 2030, Smart Cities

Abstract

Na observação do direito à cidade é possível identificar sua atuação como ferramenta de consagração dos demais direitos humanos assegurados à população, como é o caso do direito à educação, à saúde, à moradia, ao lazer e diversos outros. É por meio do espaço urbano em que ocorre o exercício da cidadania, sendo o direito à cidade indispensável para efetivação e concretização dos demais direitos relatados. Através do ambiente urbano o cidadão pratica os atos da vida civil, de forma em que é admissível a criação de vínculos com o ambiente, o que por consequência reafirma a preservação desses espaços por parte da população, no intuito de mantê-los aptos para que possam usufruir deles no futuro, assim como resguardá-los para as futuras gerações. Há que se observar a importância da cidade como espaço para a prática de atividades sociais atreladas ao lazer, de forma em que os agrupamentos sociais promovem a interação entre os grupos, possibilitando a criação de laços afetivos e promovendo o conhecimento de novas culturas. Os avanços tecnológicos trouxeram o conceito de Smart Cities fornecendo novas práticas e técnicas de urbanização, assim como a transformação do espaço urbano, com o objetivo de contribuir com a ressignificação das cidades, tornando-as acessíveis e planejadas para a população, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 trazida pela ONU. Uma das características das cidades inteligentes envolve uso de métodos de virtualização e uso de canais de comunicação para boa parte dos atos civis cotidianos. Nesse diapasão, a virtualização das atividades sociais, já pode ser encontrada através de dispositivos como o Metaverso (que se encontra em desenvolvimento), sendo essa uma herança trazida pelas redes sociais que progrediram ao ponto de possuir um universo próprio. O Metaverso consiste em uma forma de realidade virtual na qual será possível exercer as possibilidades da vida real e a cidadania de forma digital. Através dele o indivíduo poderá frequentar shows, realizar compras, frequentar aulas, realizar reuniões de trabalho, entre diversas outras possibilidades. Por meio de óculos virtuais, o cidadão abandona a realidade física e se integra ao universo virtual, tendo como foco a realização de atividades que envolvam as relações sociais, modificando diversos aspectos da vida humana, entre eles, a prática do lazer social, da qual, com o avanço dessa tecnologia, dispensa o uso dos espaços físicos, concretizando uma fuga ao espaço virtual. A hipótese a ser levantada com essa pesquisa é: a virtualização dos espaços urbanos, especialmente dos ambientes de lazer, poderia comprometer a construção de laços sociais fundamentais para a (re)organização de espaços urbanos, assim como a eficácia social do Direito à Cidade e o atingimento das metas propostas pelo ODS 11 da Agenda 2030? Uma vez que o cidadão encontrará uma distância em relação à cidade física diante da imersão proporcionada pelos universos virtuais.

Published

2022-12-31