MEMÓRIAS DA EXCLUSÃO ESCOLAR
A REALIDADE DA PESSOA TRANS
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-260Palavras-chave:
EDUCAÇÃO, DIREITOS HUMANOS, GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUALResumo
A luta pela garantia de direitos das pessoas que se identificam com padrões sociais marcados pela diversidade sexual e de gênero, sejam lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais (LGBT, atualmente LGBTQI+) tem se materializado no mundo como movimento histórico, por meio do fortalecimento de ações que objetivam a promoção da igualdade, do papel social e da identidade de gênero, bem como o respeito à orientação sexual e o enfrentamento de condutas e práticas sexistas respaldado em políticas públicas advindas de ações governamentais. Embora essas políticas públicas visem à garantia de direitos, percebem-se efeitos contraditórios: por um lado, alguns setores sociais demonstram um progressivo respeito pela diversidade sexual; por outro lado, grupos conservadores acirram seus ataques, realizando desde campanhas de exaltação dos valores tradicionais da família até manifestações de máxima hostilidade, preconceito e violência. Deste modo, a homofobia é encarada como prática social, cultural e econômica, para além do contexto individual. Nesse sentido, travestis e transexuais subvertem a distinção entre os espaços psíquicos, interno e externo, ao problematizar os conceitos de sexo, gênero e desejo como categorias de identidade. Os estigmas que travestis e transexuais sofrem são decorrentes do rompimento com os modelos previamente dados pela normatização, ficando com isso, marcados negativamente e desprovidos de direito a ter direitos. Assim, o objetivo geral desta pesquisa é analisar o processo de exclusão social de travestis e transexuais por meio do relato oral de suas próprias histórias de vida. Os objetivos específicos contemplam compreender o contexto histórico dos LGBTQI+; analisar as histórias de vida de travestis e transexuais referentes ao período da infância e adolescência, em especial na vida escolar; entender, por meio das memórias, as bases dos processos de exclusão social desses grupos, a partir da própria exclusão escolar. Os procedimentos metodológicos envolvem a pesquisa qualitativa, à luz do método biográfico, tendo como instrumento de coleta de dados a entrevista não estruturada a fim de coletar as histórias orais das participantes. Essas histórias serão transcritas e analisadas de modo a analisar os avanços, os retrocessos, os consensos, os dissensos e as contradições ocorridas no processo de escolarização das participantes da pesquisa. Como resultados, espera-se por meio das memórias obter informações sobre situações de preconceito e discriminação que possam ter levado à exclusão escolar.