A AGENDA 2030 NA GOVERNANÇA DAS EMPRESAS E NA RENTABILIDADE

Authors

  • Larissa Trindade Costa
  • Paulo André Azevedo Barbosa Universidade Autónoma de Lisboa

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-531

Keywords:

Agenda 2030, ONU, Desenvolvimento sustentável

Abstract

A escassez dos recursos básicos e imprescindíveis à vida humana, no atual cenário econômico, reforça a importância de um novo olhar sobre os fundamentos do desenvolvimento sustentável no meio empresarial. Inicialmente, mitigar os lucros em favor da manutenção dos recursos naturais, sem maior agressão ao meio ambiente e às necessidades sociais, consistia na ideia de que os recursos naturais e os direitos fundamentais estariam garantidos. Hoje, diante da nova perspectiva mundial pós-pandêmica, a observância dos preceitos de responsabilidade intergeracional, na governança corporativa empresarial, salienta que a manutenção do crescimento dos meios de produção em respeito as diretrizes apontadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da ONU (Organização das Nações Unidas), pode não somente manter os ganhos, como também possibilitar o crescimento saudável e sustentável da lucratividade nas atividades desenvolvidas. É sabido que os recursos são limitados. Em contrapartida, as necessidades humanas são ilimitadas. Logo, a importância do aumento de investimentos na proteção ambiental do setor de uma determinada companhia, além de garantir que as fontes naturais de insumos não sejam extintas, promove melhor condição de preços com menor exposição à alta valorização de comodities. A manutenção de conselhos administrativos que promovam valores de persecução dos fatores ambientais, sociais e de governança corporativa tratados na Agenda 2030 impacta diretamente na obtenção de lucros mais relevantes e nas empresas mais resilientes a crises. A Covid-19 trouxe grandes desafios, tanto para a questão sanitária quanto para o abastecimento das cadeias de produção, que hoje carecem de suprimentos suficientemente disponíveis para corresponder às demandas da retomada econômica. Tais condições aceleraram a percepção da necessidade de implementação de políticas de desenvolvimento sustentável nas companhias. O inflacionamento decorrente da escassez de insumos impacta diretamente nos resultados das empresas que não tiveram maior sensibilidade ao desenvolvimento sustentável, nos seus conselhos de administração e na governança corporativa. A curto prazo a ausência de investimentos na preservação ambiental e nos aspectos sociais respaldados pelos Fatores ESG (Enviroment, Social and Governance) pode corresponder a resultados financeiros mais robustos. No entanto, a médio e longo prazo os investidores do mercado financeiro têm demonstrado maior preferência pelas companhias que preservem, na sua governança, os critérios que vêm sendo estabelecidos pelos organismos internacionais para o pleno desenvolvimento do planeta, como a Agenda 2030, proposta pela ONU, e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A preservação do meio ambiente está pautada na conservação de recursos que são utilizados em larga escala nas demandas mundiais de produção. Portanto, quando uma empresa não observa, nos seus fundamentos, questões importantes relativas à manutenção das fontes de insumos, ela estará mais exposta a fatores macroeconômicos que impliquem forçosamente no aumento das despesas operacionais. Assim, as companhias que internalizaram nas suas cadeias de produção as ideias anteriormente concretizadas na responsabilidade intergeracional de conservação de acesso aos recursos naturais, desde a Convenção de Estocolmo, até a Agenda 2030, da ONU, estão melhor preparadas para enfrentar momentos de crise e mais arrojadas para a percepção de maior retorno de investimentos, no futuro.

Published

2022-12-31