ODONTOLOGIA PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA
A FORMAÇÃO COMO CAMINHO DE COLABORAÇÃO E EQUIDADE EM SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-556Keywords:
Pessoas em Situação de Rua, Relações Comunidade-Instituição, Práticas Interdisciplinares, Aprendizagem, Odontologia ComunitáriaAbstract
A redução de desigualdades e iniquidades em saúde extrapola as ações no próprio setor necessitando uma abordagem intersetorial. Para isto, e uma atuação crítica frente às diversas realidades, a formação de profissionais precisa articular educação, saúde e aparatos sociais de forma integrada à comunidade. Dialogando com premissas atuais da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-americana de Saúde, a intenção desta proposta foi de uma formação diferenciada em saúde bucal para populações em situação de rua no ano de 2022. Afim de interferir positivamente em questões político-sociais de um município no interior de São Paulo, Brasil, o cuidado em saúde bucal e a formação de odontólogos ocorreu em articulação com o aparato de assistência-social local, o Centro Pop, e o serviço de saúde voltados a estes grupos da equipe de Consultório na Rua do SUS, em parceria também com uma de suas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Os atendimentos ocorreram em ambientes não-ambulatoriais tanto no espaço do Centro Pop quanto na própria abordagem de rua, e no ambiente ambulatorial da UBS para procedimentos mais complexos. Em uma construção teórico-prática sobre as questões de saúde eu envolvem esta população de extrema vulnerabilidade, quatro estudantes de odontologia desenvolveram desde atividades de educação em saúde, para orientações sobre os impactos para a saúde do consumo de drogas, a política de redução de danos em saúde, ações específicas de higiene oral com distribuição de insumos, até os atendimentos clínicos sob supervisão. Totalizando três encontros de educação em saúde com vinte participantes, quase quarenta atendimentos odontológicos, e experiências de formação diferenciada para quatro estudantes, com este trabalho foi possível apreender sobre as especificidades da abordagem em saúde destes grupos e colaborar com uma maior inclusão destes usuários, muitas vezes excluídos dos serviços de saúde. Esta proposta de intervenção para equidade também pôde servir de subsídio para novas parcerias e contribuições sociais da formação.