SÍFILIS CONGÊNITA NO MUNICIPIO DO RIO DE JANEIRO, BRASIL
ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DA DESIGUALDADE RACIAL
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-201Palavras-chave:
SIFILIS CONGENITA, DIREITO HUMANO, DESIGUALDADE RACIAL EM SAUDEResumo
A sífilis congênita é o resultado da transmissão da sífilis da gestante para o concepto principalmente por via transplacentária, em todos os períodos da gestação. A alta taxa de incidência da sífilis congênita no Brasil e no mundo ainda é uma realidade e um grande problema de saúde pública, pois pode evoluir para aborto, natimorto e sequelas irreversíveis para as crianças, embora possa ser evitada. A cidade do Rio de Janeiro apresenta cerca do dobro da taxa de incidência do país, sendo a quarta capital mais atingida. Notificação de sífilis congênita sob a perspectiva da desigualdade racial no município do Rio de Janeiro – Brasil. Analisar a tendência da taxa de sífilis congênita no município do Rio de Janeiro no período de 2011 a 2021, sob a perspectiva da desigualdade racial. Estudo ecológico de séries temporais da taxa de sífilis congênita em menores de um ano, no município do Rio de Janeiro (Brasil), no período de 2011 a 2021. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Foram analisadas as variáveis relacionadas às características sociais e assistenciais maternas, utilizando o teste qui-quadrado de Pearson para avaliar a existência de diferença estatisticamente significativa entre os estratos de raça/cor da pele (p ≤ 0,05). A tendência temporal foi realizada por regressão linear generalizada, utilizando o método de Prais-Winsten, sendo calculado o coeficiente de regressão (β) e respectiva significância estatística (p ≤ 0,05). Adicionalmente, foi avaliado a existência de autocorrelação com base na estatística de Durbin-Watson (d). A taxa de sífilis congênita em menores de um ano no município do Rio de Janeiro apresentou leve tendência crescente no período (β = 0,04; p = 0,004), mas com possibilidade de autocorrelação positiva (d= 1,266), variando de 17,1 por mil nascidos-vivos em 2011 a 19,2 em 2019. A taxa na população branca foi menos da metade do município variando de 6,1 a 6,8, respectivamente, e com estabilidade (p = 0,946). Na população negra (parda e preta) a taxa também foi estável (p=0,133), mas apresentou cerca do dobro da observada na população branca, variando de 20,7 a 13,5. As mães negras tinham proporcionalmente escolaridade mais baixa (p=0,004) e eram adolescentes (p=0,004) do que as mães brancas e também apresentaram menor realização de pré-natal (p < 0,001), tratamento para sífilis na gestação (p < 0,001) e do parceiro (p < 0,013). Apesar do diagnóstico e tratamento serem efetivos e de baixo custo, o esforço para o seu combate ainda não obteve o êxito desejado, em particular nos grupos mais vulneráveis, como a população negra.