DIREITOS HUMANOS EM NARRATIVAS TRANSMÍDIA
O RACISMO EM DISCURSOS FICCIONAIS DE TELENOVELA INFANTOJUVENIL
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-592Palavras-chave:
Narrativas transmídia;, telenovela infantojuvenil, racismoResumo
A apresentação refere-se a um fragmento do trabalho de pesquisa, em andamento, que objetiva o mapeamento da cultura digital em narrativas transmídia nos multiversos infantojuveniis. Inicialmente, o objeto empírico foi a telenovela infantojuvenil “As aventuras de Poliana”, transposição da obra literária Pollyanna (1913) e transmitida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) de 2018 a 2020. Em um projeto de multiplataformização da emissora, a partir da plataforma digital SBTonline no YouTube, que disponibiliza todo o conteúdo da programação com livre acesso, a comunicação transmídia consolidou-se e a investigação estendeu-se para os conteúdos produzidos em caixas de comentários da plataforma pela audiência da telenovela. Por fim, o objeto expandiu-se pelas redes sociais Instagram, Twitter, Facebook e TikTok, além de convergir conteúdo para a TvZyn, plataforma infantojuvenil criada pela emissora para atender às novas formas de consumo do conteúdo televisivo. A “cultura da convergência” (Jenkins, 2009) apresenta novos hábitos e permite a observação e análise de percepções que configuram a realidade social, como as discussões sobre direitos humanos e racismo entre o público infantojuvenil, que perpassam discursos produzidos pela mídia e reestabelecem a circulação de sentidos em rede.
Conceitualmente, a narrativa direciona o sentido visto no mundo e pode ser compreendida como uma representação “estendida no tempo”, que acompanha as mudanças sociais (Todorov, 1969). Em uma “terceira onda informacional” que alastra-se por todas as esferas da sociedade contemporânea hiperconectada, configuram-se “utopias e distopias em convergência, tecendo o agora e os devires” (Passarelli e Gomes, 2020: p.256). Diante da relevância dos temas a serem discutidos, torna-se fundamental o mapeamento das novas formas de comunicação da “cultura participativa” (Jenkins, 2014), que reatualiza debates e reconfigura a produção de conteúdos ficcionais e não-ficcionais.
Metodologicamente, analisaremos os desdobramentos de cenas apresentadas na telenovela, que foram identificadas pelas audiências como parte de um discurso acrítico sobre o racismo no Brasil e promoveram discussões e engajamentos nas redes sociais, especificamente no YouTube e no Twitter. Em um processo de divulgação do “jogo do contente”, os roteiristas da emissora reproduziram pré-conceitos relacionados às desigualdades sociais e reiteraram o posicionamento apolítico a partir de um projeto de “educação a partir do exemplo” da trama ficcional. A obra Pollyanna, transposta em diferentes formatos comunicacionais, elucida temas que apresentam as “novidades do mundo” para os públicos infantojuvenis. Nesse sentido, as diferentes formas de produção e consumo da obra indicam transformações sociais em relação às práticas de comunicação e às narrativas geracionais, que envisionam o debate sobre a garantia dos direitos humanos e sociais como prática política de um futuro-agora,