DISCURSO DE ÓDIO, TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E COLONIALIDADE

Authors

  • Daniela de Melo Crosara Universidade Federal de Uberlândia/MG

Keywords:

MODERNIDADE, COLONIALIDADE, TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, DISCURSO DE ÓDIO

Abstract

O presente trabalho tem por objeto a problematização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como espaço de manutenção da colonialidade e do discurso de ódio como tecnologia colonial, capitalista e neoliberal. Entre a suposta inevitabilidade no uso dessas tecnologias e a livre escolha de-ser-parte desse espectro relacional e nele protagonizar, cabem infinitas possibilidades de análises. Ao buscar compreender como opera o discurso de ódio e as dimensões de afeto por ele mobilizadas e, por consequência, como ele afeta os grupos vulneráveis, temos como objetivo demonstrar como uma suposta aplicação “neutra” do discurso de ódio pode implicar em uma nova forma de subjugação/controle/silenciamento quando a voz é a do colonizado. Para tanto, adotamos como perspectiva epistemológica a abordagem decolonial (MALDONADO-TORRES, 2009; QUIJANO, 2005; MIGNOLO, 2017; GONZÁLEZ, 2022) para, a partir de categorias e conceitos próprios, pensarmos a experiência colonizatória e a sua relação direta com a modernidade. Para melhor compreender as estruturas de dominação como legado da modernidade/colonialidade, problematizamos as TICs e o discurso de ódio como tecnologias potentes usadas pelo neoliberalismo para manutenção das opressões. A presente pesquisa justifica-se pela potencialidade de descortinamento das dinâmicas de funcionamento do discurso de ódio, os afetos por ele mobilizados e como isso afeta os grupos vulneráveis, buscamos estabelecer as premissas epistemológicas e a interrelação com casos concretos para, ao final, debatermos se o discurso do colonizado é discurso de ódio. Como hipótese inicial, pretendemos demonstrar que, ao mesmo tempo em que as TICs poderiam ser identificadas como espaços para a democratização da participação na construção dos consensos em torno de agendas políticas, apresentar-se-iam como palco para a manutenção dos mesmos velhos modernos mecanismos de controle - aqui compreendidos a partir do conceito operacional da colonialidade - para a mesma antiquada hierarquização de corpos, lugares e conhecimentos, resultando na manutenção de opressões históricas. A metodologia adotada é a bibliográfica combinada com pesquisa empírica, na medida em que adotamos o estudo de caso, buscando associá-lo à epistemologia decolonial e seus conceitos operacionais. Como resultados, encontramos justificativas suficientes para afirmar que, ao mesmo tempo em que o legado da modernidade/colonialidade ainda tem um longo caminho a ser percorrido para a sua superação, por outro lado, identificamos formas de resistência e luta, manifestas através da arte, desobedientes epistemologicamente e propulsoras de protagonismos pela ordem do coletivo.

Published

2025-10-06

Issue

Section

Simpósio P06 - DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS? PERSPECTIVAS CRÍTICAS E DECOLONIAIS