VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DIVISÃO SOCIOSSEXUAL DO TRABALHO
UMA ANÁLISE DO FILME AINDA TEMOS O AMANHÃ (2023)
Keywords:
Violência Doméstica, Desigualdade de Gênero, Divisão Sociossexual do Trabalho, Autonomia Feminina, Independência FinanceiraAbstract
O presente trabalho tem como objetivo investigar e discutir a relação entre violência doméstica e a divisão sociosexual do trabalho, a partir da análise do filme Ainda Temos o Amanhã (2023), dirigido por Paola Cortellesi. A obra, de grande repercussão crítica, aborda de forma sensível e provocativa questões como a violência doméstica, a sobrecarga de trabalho das mulheres e outros temas relacionados à autonomia financeira e política feminina. Considera-se que o cinema, enquanto produto cultural e veículo semiótico, constitui-se como uma potente ferramenta para refletirmos sobre os modos de organização social e as desigualdades de gênero. A escolha por essa abordagem se justifica pela capacidade do audiovisual de provocar reflexões que articulam o individual e o coletivo, permitindo acessar sentidos subjetivos e sociais sobre a condição das mulheres. O estudo tem por objetivo compreender como os mecanismos de opressão no âmbito doméstico se articulam à divisão sociosexual do trabalho, perpetuando as assimetrias de poder entre homens e mulheres tanto na esfera privada quanto na pública. Metodologicamente, trata-se de uma análise qualitativa, com base na análise de conteúdo fílmico, articulada a referenciais teóricos dos estudos de gênero, sociologia do trabalho e psicologia social crítica. As hipóteses iniciais sustentam que a naturalização da violência doméstica e da sobrecarga feminina contribui para a manutenção das desigualdades econômicas e sociais, restringindo as possibilidades de autonomia das mulheres. Como resultado, identifica-se que o filme evidencia, de forma contundente, os atravessamentos entre as esferas pública e privada, demonstrando que as opressões vivenciadas no espaço doméstico reverberam diretamente nas condições de trabalho, na autonomia financeira e nas possibilidades de participação social das mulheres.